Anemia na DRC: Papel da Hepcidina e Tratamento

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 70 anos, em terapia renal substitutiva há 4 anos, devido à nefropatia diabética, vem apresentando anemia, a despeito da reposição de alfapoetina 4000 unidades, 3 vezes por semana. Exames solicitados demonstraram aumento de ferritina (200 ng/mL) e queda da saturação de transferrina (15%). Qual mecanismo fisiopatológico explica a anemia refratária?

Alternativas

  1. A) Hemólise intravascular.
  2. B) Aumento da hepcidina.
  3. C) Falência medular.
  4. D) Deficiência de eritropoetina.
  5. E) Deficiência de vitamina B12.

Pérola Clínica

Anemia em DRC com ferritina normal/alta e saturação transferrina baixa → anemia de doença crônica por ↑ hepcidina.

Resumo-Chave

Em pacientes com Doença Renal Crônica (DRC) em terapia renal substitutiva, a anemia refratária à alfapoetina, com ferritina normal ou elevada e saturação de transferrina baixa, é classicamente explicada pelo aumento da hepcidina. A hepcidina bloqueia a liberação de ferro dos macrófagos e a absorção intestinal, resultando em deficiência funcional de ferro.

Contexto Educacional

A anemia é uma complicação quase universal e significativa da Doença Renal Crônica (DRC), afetando a qualidade de vida e aumentando a morbimortalidade. Sua fisiopatologia é multifatorial, sendo a deficiência de eritropoetina o principal fator. No entanto, muitos pacientes desenvolvem anemia refratária à reposição de eritropoetina, como no caso descrito, o que aponta para outros mecanismos. Um mecanismo crucial é a deficiência funcional de ferro, frequentemente presente na DRC devido à inflamação crônica. A inflamação eleva os níveis de hepcidina, um peptídeo produzido pelo fígado que atua como o principal regulador negativo do metabolismo do ferro. A hepcidina se liga à ferroportina, o transportador de ferro nas células, promovendo sua degradação. Isso impede a liberação de ferro dos macrófagos (onde o ferro é armazenado) e dos enterócitos (onde o ferro é absorvido), resultando em ferro sérico baixo e saturação de transferrina reduzida, apesar dos estoques de ferro corporais poderem estar normais ou até elevados (refletidos pela ferritina, que também é um reagente de fase aguda). O manejo da anemia na DRC, especialmente a refratária, exige a avaliação cuidadosa do estado do ferro. Mesmo com ferritina normal ou alta, a saturação de transferrina baixa indica que o ferro não está disponível para a eritropoiese. Nesses casos, a suplementação de ferro intravenoso pode ser necessária para superar o bloqueio da hepcidina e melhorar a resposta à eritropoetina, otimizando o tratamento e o prognóstico dos pacientes em terapia renal substitutiva.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da hepcidina na anemia da doença renal crônica?

A hepcidina é um hormônio que regula o metabolismo do ferro. Na DRC, a inflamação crônica eleva a hepcidina, que bloqueia a ferroportina, impedindo a liberação de ferro dos macrófagos e a absorção intestinal, levando a uma deficiência funcional de ferro.

Como a hepcidina afeta a resposta à eritropoetina?

A deficiência funcional de ferro induzida pela hepcidina limita a disponibilidade de ferro para a eritropoiese, tornando a medula óssea menos responsiva à estimulação pela eritropoetina, resultando em anemia refratária ao tratamento com agentes estimuladores da eritropoiese.

Quais exames laboratoriais sugerem deficiência funcional de ferro na DRC?

A deficiência funcional de ferro é sugerida por uma saturação de transferrina baixa (<20%) e ferritina sérica normal ou elevada (>100 ng/mL), especialmente em pacientes com inflamação crônica, indicando que o ferro está estocado, mas não disponível.

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