Anemia na DRC: Manejo da Deficiência de Ferro e AEE

MedEvo Simulado — Prova 2025

Enunciado

João, 65 anos, portador de diabetes mellitus tipo 2 e doença renal crônica (DRC) estágio 4, com taxa de filtração glomerular estimada em 25 mL/min/1.73m². Procura atendimento com queixa de cansaço intenso, dispneia aos médios esforços e palidez cutaneomucosa há cerca de um mês. Nega sangramentos visíveis ou uso de medicamentos que possam causar anemia. Exames laboratoriais recentes: Hemoglobina 7.2 g/dL; VCM 78 fL; HCM 26 pg; CHCM 30 g/dL; RDW 15.8%; Leucócitos 6.800/mm³; Plaquetas 280.000/mm³. Perfil de ferro: Ferritina sérica 35 ng/mL; Saturação de transferrina (IST) 12%. Assinale a alternativa que apresenta uma conduta inicial INADEQUADA:

Alternativas

  1. A) Iniciar ferroterapia oral em dose plena.
  2. B) Prescrever agente estimulador da eritropoiese (AEE).
  3. C) Solicitar endoscopia digestiva alta e colonoscopia.
  4. D) Administrar ferro intravenoso.

Pérola Clínica

Anemia em DRC com deficiência de ferro (Ferritina <100, IST <20%) → iniciar ferroterapia ANTES de AEE.

Resumo-Chave

A anemia na DRC é multifatorial, mas a deficiência de ferro é uma causa comum e deve ser corrigida antes de iniciar agentes estimuladores da eritropoiese (AEE). Os exames laboratoriais (Ferritina 35 ng/mL, IST 12%) indicam deficiência de ferro funcional ou absoluta, mesmo com ferritina não tão baixa.

Contexto Educacional

A anemia é uma complicação precoce e comum da doença renal crônica (DRC), afetando significativamente a qualidade de vida e aumentando a morbimortalidade. Sua etiologia é multifatorial, incluindo deficiência de eritropoetina, deficiência de ferro (absoluta ou funcional), inflamação crônica, perda sanguínea e vida útil reduzida dos eritrócitos. O diagnóstico baseia-se na hemoglobina <13 g/dL em homens e <12 g/dL em mulheres, com investigação de causas secundárias. A deficiência de ferro é a causa mais prevalente de falha na resposta aos agentes estimuladores da eritropoiese (AEE). Os parâmetros para avaliar o status do ferro em DRC são a ferritina sérica e a saturação de transferrina (IST). Valores de ferritina <100 ng/mL ou IST <20% indicam deficiência de ferro. A ferroterapia intravenosa é a via preferencial para reposição de ferro em pacientes com DRC, especialmente naqueles em diálise ou com deficiência grave. Os AEE (como eritropoetina) são indicados para manter os níveis de hemoglobina entre 10-11.5 g/dL, mas apenas após a correção da deficiência de ferro. Iniciar AEE sem otimizar o estoque de ferro resulta em resposta inadequada e necessidade de doses mais altas, o que pode aumentar o risco de eventos cardiovasculares. A investigação de outras causas de anemia, como sangramento gastrointestinal, é crucial, especialmente em pacientes com deficiência de ferro refratária.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para deficiência de ferro em pacientes com DRC?

Em pacientes com DRC, a deficiência de ferro é diagnosticada com ferritina sérica <100 ng/mL ou saturação de transferrina (IST) <20%. Valores entre 100-200 ng/mL com IST <20% também indicam deficiência funcional.

Quando é indicado o uso de agentes estimuladores da eritropoiese (AEE) na DRC?

AEE são indicados quando a hemoglobina está abaixo de 10 g/dL e a deficiência de ferro foi corrigida ou descartada, visando manter a hemoglobina entre 10-11.5 g/dL.

Por que a ferroterapia intravenosa é preferível na anemia da DRC?

A ferroterapia intravenosa é preferível na DRC devido à má absorção do ferro oral, à necessidade de reposição rápida e à melhor tolerância, especialmente em pacientes com inflamação crônica que afeta o metabolismo do ferro.

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