SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2019
Paciente masculino, 84 anos, com quadro de fraqueza, inapetência, palidez cutâneo- mucosa, perda de peso nas últimas 3 semanas, procurou serviço médico, onde realizaram os seguintes exames: hemoglobina = 7,5 g/dl; VCM = 82 fl; Na = 135; TSH = 2,5 mUI/ml; creatinina = 4,5 mg/dl; ureia = 220 mg/dl; PSA = 5,5 ng/ml; ferro = 40 mcg/dl; ferritina = 1000 ng/ml. Identifique a provável causa da anemia:
Idoso com anemia normocítica, IR crônica, ferritina ↑ e ferro ↓/normal → Anemia de Doença Crônica.
A anemia de doença crônica é comum em idosos com condições inflamatórias ou insuficiência renal crônica, como neste caso. Caracteriza-se por anemia normocítica-normocrômica (ou levemente microcítica), ferritina elevada (refletindo inflamação e estoques de ferro), e ferro sérico baixo, devido à alteração no metabolismo do ferro mediada pela hepcidina.
A anemia de doença crônica (ADC) é a segunda causa mais comum de anemia, perdendo apenas para a anemia ferropriva. É frequentemente observada em pacientes com condições inflamatórias crônicas, infecções, neoplasias e, notavelmente, em pacientes com insuficiência renal crônica (IRC), como no caso apresentado. A compreensão de sua fisiopatologia e diagnóstico diferencial é crucial para residentes. A fisiopatologia da ADC envolve a inflamação crônica, que leva à produção de citocinas como IL-6, que por sua vez estimula a produção hepática de hepcidina. A hepcidina é um hormônio que regula o metabolismo do ferro, bloqueando a liberação de ferro dos macrófagos e enterócitos, resultando em hipoferremia funcional. Além disso, há uma resposta diminuída à eritropoietina e uma vida útil reduzida dos eritrócitos. Em pacientes com IRC, a deficiência de eritropoietina é um fator adicional importante. O diagnóstico da ADC é feito com base nos achados laboratoriais: anemia normocítica-normocrômica (VCM normal) ou levemente microcítica, ferritina sérica normal ou elevada (geralmente >100 ng/mL, pois é um reagente de fase aguda), e ferro sérico baixo com saturação de transferrina normal ou baixa. A diferenciação da anemia ferropriva, onde a ferritina é classicamente baixa, é fundamental para o manejo adequado. O tratamento foca na doença de base e, em casos de IRC, pode incluir eritropoietina recombinante e suplementação de ferro intravenoso.
A anemia de doença crônica geralmente apresenta hemoglobina baixa, VCM normocítico ou levemente microcítico, ferritina sérica normal ou elevada (acima de 100 ng/mL) e ferro sérico baixo, com saturação de transferrina normal ou baixa.
A insuficiência renal crônica é uma causa comum de anemia de doença crônica devido à produção reduzida de eritropoietina pelos rins doentes, além de um estado inflamatório crônico que afeta o metabolismo do ferro, mediado pela hepcidina.
A ferritina é um marcador crucial; na anemia ferropriva, a ferritina está baixa, indicando depleção de estoques de ferro. Na anemia de doença crônica, a ferritina está normal ou elevada, refletindo inflamação e sequestro de ferro, apesar do ferro sérico baixo.
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