UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Mulher negra de 26 anos procura atendimento com queixa de fraqueza e desânimo há algumas semanas com piora progressiva. Relata febre e emagrecimento. O exame físico mostra mucosas descoradas 2+/4+, sem outras alterações. Exames laboratoriais revelam hemoglobina = 7,8g/dL; hematócrito = 22%, VCM = 77fL, CHCM = 25pg, leucócitos = 10.500/mm³ , plaquetas = 550.000/mm³ , reticulócitos = 3,0%, ferro sérico = 30µg/dL (normal de 35 a 150µg/dL) e capacidade de ligação do ferro = 200µg/dL (normal de 220 a 420µg/dL). A classificação e a causa da anemia microcítica, respectivamente, são:
Anemia de Doença Crônica (ADC) → ferro sérico ↓, CTLF ↓/normal, ferritina normal/↑. Pode ser microcítica hipocrômica.
A anemia de doença crônica (ADC) é caracterizada por ferro sérico baixo e capacidade total de ligação do ferro (CTLF) baixa ou normal, diferenciando-a da anemia ferropênica, onde a CTLF é elevada. A presença de febre, emagrecimento e plaquetose sugere um processo inflamatório crônico subjacente, que é a base da ADC.
A anemia é uma condição comum na prática médica, e a sua correta classificação e identificação da causa são cruciais para o manejo adequado. Anemias microcíticas hipocrômicas incluem principalmente a anemia ferropênica e a anemia de doença crônica, sendo fundamental diferenciá-las para evitar tratamentos inadequados. A anemia de doença crônica é a segunda causa mais comum de anemia e é frequentemente associada a infecções crônicas, doenças autoimunes ou neoplasias, onde a inflamação sistêmica altera o metabolismo do ferro. O diagnóstico diferencial entre anemia ferropênica e anemia de doença crônica baseia-se na análise cuidadosa dos parâmetros do metabolismo do ferro. Enquanto ambas apresentam ferro sérico baixo, a capacidade total de ligação do ferro (CTLF) é alta na ferropênica e baixa ou normal na de doença crônica. A ferritina sérica, que reflete os estoques de ferro, é baixa na ferropênica e normal ou elevada na de doença crônica, pois é um reagente de fase aguda. A presença de plaquetose, como no caso, também pode sugerir um processo inflamatório crônico. O tratamento da anemia de doença crônica foca no manejo da doença subjacente. A suplementação de ferro geralmente não é eficaz e pode ser prejudicial se houver infecção ativa. Em casos selecionados e graves, pode-se considerar o uso de eritropoetina. Para residentes, é vital dominar esses conceitos para uma abordagem diagnóstica e terapêutica precisa, evitando erros que podem impactar a saúde do paciente.
Os principais marcadores são ferro sérico, capacidade total de ligação do ferro (CTLF) e ferritina. Na anemia de doença crônica, o ferro sérico e a CTLF são baixos, e a ferritina é normal ou elevada. Na anemia ferropênica, o ferro sérico e a ferritina são baixos, mas a CTLF é elevada.
Embora classicamente normocítica normocrômica, a anemia de doença crônica pode evoluir para microcítica e hipocrômica em casos mais graves ou prolongados, devido à restrição crônica da disponibilidade de ferro para a eritropoiese, mediada principalmente pela hepcidina.
A inflamação crônica leva à liberação de citocinas que aumentam a produção de hepcidina. A hepcidina, por sua vez, bloqueia a liberação de ferro dos macrófagos e enterócitos, resultando em hipoferremia e eritropoiese prejudicada, mesmo com estoques de ferro adequados no organismo.
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