MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Uma paciente de 54 anos, com diagnóstico de Artrite Reumatoide de longa data e difícil controle, apresenta-se com fadiga crônica e palidez cutâneo-mucosa. Os exames laboratoriais revelam anemia normocítica e normocrômica, ferro sérico baixo, ferritina elevada e capacidade total de ligação do ferro (TIBC) reduzida. Uma biópsia de mucosa duodenal demonstra que os enterócitos possuem expressão normal do transportador de metais divalentes 1 (DMT1) e da ferritina intracelular, mas a liberação do ferro para o plasma está severamente comprometida. Considerando a fisiologia da absorção de micronutrientes e a fisiopatologia da inflamação crônica, qual mecanismo molecular explica a falha na transferência do ferro para a circulação sistêmica nesta paciente?
Ferritina alta com Ferro baixo em paciente inflamado não é falta de ferro no corpo, é ferro 'sequestrado' pela hepcidina.
A anemia de doença crônica (ou anemia da inflamação) é a segunda causa mais comum de anemia mundialmente, frequentemente associada a condições como artrite reumatoide, neoplasias e infecções crônicas. Sua patogênese é centrada na desregulação da homeostase do ferro mediada por citocinas pró-inflamatórias, especialmente a Interleucina-6 (IL-6). O mecanismo molecular chave envolve a hepcidina, um hormônio peptídico produzido pelo fígado. Em estados inflamatórios, a hepcidina aumenta e liga-se à ferroportina (o único exportador de ferro celular) nos enterócitos e macrófagos, induzindo sua internalização e degradação. Isso resulta em aprisionamento do ferro dentro das células e redução da oferta de ferro para a eritropoiese, apesar de estoques corporais totais suficientes. O diagnóstico laboratorial típico revela anemia normocítica ou levemente microcítica, ferro sérico baixo, saturação de transferrina reduzida, mas com ferritina elevada e TIBC (Capacidade Total de Ligação do Ferro) baixo ou normal. O tratamento foca primariamente no controle da doença de base para reduzir o estímulo inflamatório.
Porque ela é uma proteína de fase aguda e também porque o ferro fica retido dentro das células, aumentando os estoques intracelulares.
Nos macrófagos do sistema reticuloendotelial, onde ela também é degradada pela hepcidina, impedindo a reciclagem do ferro das hemácias velhas.
Hipóxia e aumento da eritropoiese (necessidade de produzir mais sangue).
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