Anemia de Doença Crônica: Diagnóstico e Diferenciais

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022

Enunciado

Maria Eduarda, 39 anos, é portadora de Doença inflamatória pélvica, queixa-se de cansaço fácil. Traz hemograma que mostra, Hemoglobina: 8,4; Volume corpuscular médio: baixo, Ferritina: normal, Reticulócitos: normal, Capacidade de ligação total do ferro: baixa, Saturação de transferrina: baixa. Recentemente concluiu tratamento com sulfato ferroso. Qual anemia é mais compatível com este quadro:

Alternativas

  1. A) Anemia megaloblástica
  2. B) Anemia por deficiência de ferro
  3. C) Anemia por doença crônica
  4. D) Anemia por deficiência de B12
  5. E) Nenhuma das alternativas anteriores.

Pérola Clínica

Anemia microcítica + Ferritina normal + Capacidade ligação total ferro baixa + Saturação transferrina baixa → Anemia de doença crônica.

Resumo-Chave

A anemia de doença crônica (ADC) é caracterizada por anemia microcítica ou normocítica, ferritina normal ou elevada (refletindo estoques de ferro, mas com bloqueio de sua utilização), capacidade de ligação total do ferro (TIBC) baixa e saturação de transferrina baixa. A doença inflamatória pélvica é uma condição crônica que pode desencadear ADC.

Contexto Educacional

A anemia de doença crônica (ADC) é a segunda causa mais comum de anemia, superada apenas pela anemia por deficiência de ferro. Ela ocorre em pacientes com condições inflamatórias crônicas, infecções persistentes ou neoplasias. A fisiopatologia envolve a produção de citocinas inflamatórias (como IL-6) que levam ao aumento da hepcidina, um peptídeo que bloqueia a liberação de ferro dos macrófagos e enterócitos, resultando em ferro sérico baixo apesar de estoques adequados. O diagnóstico da ADC baseia-se na presença de uma doença crônica subjacente e em achados laboratoriais específicos. Caracteriza-se por anemia geralmente microcítica ou normocítica, com hemoglobina entre 8-10 g/dL. Os marcadores do metabolismo do ferro são cruciais: ferritina normal ou elevada (refletindo estoques de ferro), capacidade de ligação total do ferro (TIBC) baixa e saturação de transferrina baixa. Os reticulócitos são geralmente normais ou baixos, indicando uma resposta medular inadequada. O tratamento da ADC foca no manejo da doença subjacente. A suplementação de ferro geralmente não é eficaz, pois o problema não é a falta de ferro, mas sim sua má utilização. Em casos graves, pode-se considerar o uso de eritropoetina ou transfusões sanguíneas. É fundamental diferenciar a ADC da anemia ferropriva, pois o tratamento é distinto e a administração inadequada de ferro pode ser prejudicial em pacientes com ADC.

Perguntas Frequentes

Quais os principais achados laboratoriais da anemia de doença crônica?

A anemia de doença crônica (ADC) tipicamente apresenta hemoglobina baixa, VCM baixo (microcítica) ou normal, ferritina normal ou elevada, capacidade de ligação total do ferro (TIBC) baixa e saturação de transferrina baixa. Os reticulócitos são geralmente normais ou baixos.

Como diferenciar anemia de doença crônica de anemia ferropriva?

Na anemia ferropriva, a ferritina é baixa e a TIBC é alta, enquanto na ADC a ferritina é normal/alta e a TIBC é baixa. Ambas podem apresentar microcitose e saturação de transferrina baixa.

Quais condições podem causar anemia de doença crônica?

A ADC é comum em doenças inflamatórias crônicas (como doença inflamatória pélvica, artrite reumatoide, DII), infecções crônicas (HIV, tuberculose) e neoplasias. O processo inflamatório leva à disfunção do metabolismo do ferro.

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