Anemia de Doença Crônica em Crianças: Diagnóstico e Manejo

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Mãe leva sua filha de oito anos à consulta ambulatorial com queixa de baixa estatura, informando que a menina come pouco e frequentemente queixa-se de náuseas. Ao exame físico, o pediatra constatou a baixa estatura, Z-score -3 de estatura para a idade, e notou palidez cutâneo-mucosa ao que solicitou hemograma de urgência, o qual mostrou: Hm = 2,51; Hb = 7,4; Ht = 21,1; VCM = 90 e RDW = 13%. Esse resultado sugere anemia por:

Alternativas

  1. A) Hemólise.
  2. B) Carência de B12.
  3. C) Doença crônica.
  4. D) Carência de ferro.

Pérola Clínica

Anemia normocítica (VCM normal) + RDW normal + doença crônica = Anemia de Doença Crônica.

Resumo-Chave

A anemia de doença crônica é caracterizada por ser normocítica e normocrômica, com RDW geralmente normal. Em crianças com baixa estatura e queixas inespecíficas, essa anemia deve ser fortemente considerada, pois reflete um processo inflamatório ou sistêmico subjacente que afeta a eritropoese.

Contexto Educacional

A anemia de doença crônica (ADC) é uma das anemias mais comuns em pacientes hospitalizados e em crianças com condições crônicas. É uma anemia multifatorial que surge em contextos de inflamação crônica, infecções, doenças autoimunes ou malignidades. Em crianças, a baixa estatura e a inapetência podem ser sinais de uma doença crônica subjacente que leva à ADC, tornando seu reconhecimento crucial para pediatras e residentes. A fisiopatologia da ADC é complexa e envolve a disfunção do metabolismo do ferro e da eritropoiese. A inflamação crônica leva à liberação de citocinas pró-inflamatórias (como IL-6, TNF-alfa), que estimulam a produção de hepcidina pelo fígado. A hepcidina, por sua vez, inibe a absorção de ferro intestinal e a liberação de ferro dos macrófagos, resultando em hipoferremia funcional. Além disso, a inflamação pode suprimir diretamente a produção de eritropoetina e a resposta da medula óssea à eritropoetina. O diagnóstico da ADC é de exclusão e se baseia nas características do hemograma (anemia normocítica, normocrômica, RDW normal) e na presença de uma doença crônica subjacente. O tratamento primário da ADC é o manejo da doença de base. A suplementação de ferro geralmente não é eficaz e pode ser prejudicial se não houver deficiência de ferro concomitante. Em casos graves, pode-se considerar o uso de eritropoetina. Residentes devem estar aptos a diferenciar a ADC de outras anemias, como a ferropriva, para garantir a conduta terapêutica correta.

Perguntas Frequentes

Quais são as características laboratoriais da anemia de doença crônica no hemograma?

A anemia de doença crônica é tipicamente normocítica (VCM normal) e normocrômica, com contagem de reticulócitos normal ou baixa. Uma característica importante é o RDW (Red Cell Distribution Width) normal, indicando uma população de eritrócitos de tamanho homogêneo.

Qual a fisiopatologia da anemia de doença crônica?

A fisiopatologia envolve a inflamação crônica, que leva à produção de citocinas (como IL-6) que aumentam a hepcidina. A hepcidina bloqueia a liberação de ferro dos macrófagos e enterócitos, resultando em ferro sérico baixo e ferro reticuloendotelial aumentado, além de uma resposta eritropoética inadequada à eritropoetina.

Como diferenciar a anemia de doença crônica da anemia ferropriva?

A anemia ferropriva clássica é microcítica e hipocrômica, com RDW elevado e ferritina sérica baixa. A anemia de doença crônica é normocítica e normocrômica, com RDW normal e ferritina sérica normal ou elevada (por ser um reagente de fase aguda), embora o ferro sérico seja baixo em ambas.

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