Anemia de Doença Crônica: Diagnóstico Laboratorial

ENARE/ENAMED — Prova 2023

Enunciado

José, 55 anos, retorna à UBS para mostrar exames solicitados pelo seu médico da família após queixar-se de cansaço há alguns meses. Dentre os resultados, tem-se: ferro sérico 45 mcg/dl (VR 60-150 mcg/dl), ferritina 170 ng/ml (VR 10-150 ng/ml), TBIC 200 mcg/dl (VR 250-360 mcg/dl) e saturação de transferrina 28% (VR 30- 40%). Dessa forma, o diagnóstico mais provável é

Alternativas

  1. A) talassemia.
  2. B) hemocromatose.
  3. C) anemia ferropriva.
  4. D) anemia de doença crônica.
  5. E) anemia megaloblástica.

Pérola Clínica

Anemia de Doença Crônica = Ferro sérico ↓, TBIC ↓, Ferritina ↑ (ou normal-alta), Saturação de transferrina normal/↓.

Resumo-Chave

A anemia de doença crônica é caracterizada por ferro sérico baixo e TBIC baixo, mas com ferritina normal ou elevada, refletindo um estado inflamatório que sequestra o ferro nos macrófagos e impede sua utilização na eritropoiese, ao contrário da anemia ferropriva, onde a ferritina estaria baixa.

Contexto Educacional

A anemia de doença crônica (ADC) é uma condição comum em pacientes com doenças inflamatórias crônicas, infecções, câncer e doenças autoimunes. É a segunda causa mais comum de anemia, superada apenas pela anemia ferropriva. A ADC é caracterizada por uma diminuição na produção de glóbulos vermelhos e uma vida útil encurtada dos eritrócitos, resultando em sintomas como fadiga e cansaço, que podem ser inespecíficos. O diagnóstico laboratorial da ADC é crucial e se baseia em um perfil específico do metabolismo do ferro. Tipicamente, observa-se ferro sérico baixo, capacidade total de ligação do ferro (TBIC) baixa e saturação de transferrina normal ou ligeiramente baixa. O marcador distintivo é a ferritina sérica, que se apresenta normal ou elevada (geralmente > 100 ng/mL), pois a ferritina é um reagente de fase aguda e seus níveis aumentam em estados inflamatórios. Este perfil contrasta com a anemia ferropriva, onde a ferritina e o TBIC estariam baixos e altos, respectivamente. O tratamento da anemia de doença crônica foca primariamente no manejo da doença subjacente que causa a inflamação. A suplementação de ferro geralmente não é eficaz e pode ser prejudicial se não houver deficiência real. Em casos selecionados e graves, pode-se considerar o uso de agentes estimuladores da eritropoiese (eritropoetina), mas sempre com cautela e sob orientação especializada. O prognóstico da ADC está diretamente ligado ao controle da doença crônica de base.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais marcadores laboratoriais da anemia de doença crônica?

Os principais marcadores incluem ferro sérico baixo, capacidade total de ligação do ferro (TBIC) baixa, saturação de transferrina normal ou baixa, e ferritina sérica normal ou elevada (acima de 100 ng/mL), que reflete o estado inflamatório.

Qual a fisiopatologia da anemia de doença crônica?

A ADC é causada por inflamação crônica que leva à produção de hepcidina, um hormônio que bloqueia a liberação de ferro dos macrófagos e a absorção intestinal, resultando em ferro disponível insuficiente para a eritropoiese, apesar dos estoques corporais adequados.

Como diferenciar anemia de doença crônica de anemia ferropriva?

A principal diferença está na ferritina: na ADC, a ferritina é normal ou alta, enquanto na anemia ferropriva, ela é baixa. O TBIC também é baixo na ADC e alto na anemia ferropriva.

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