Anemia de Doença Crônica: Fisiopatologia e Diagnóstico

Unioeste/HUOP - Hospital Universitário do Oeste do Paraná - Cascavel (PR) — Prova 2015

Enunciado

Qual das seguintes é incompatível com um diagnóstico de anemia de doença crônica?

Alternativas

  1. A) Diminuição do nível sérico de ferro.
  2. B) Diminuição do nível de saturação de transferrina sérica.
  3. C) Diminuição do nível de ferritina sérica.
  4. D) O aumento da taxa de sedimentação de eritrócitos no soro. Esfregaço de sangue periférico mostrando microcitose.
  5. E) Produção da hepcidina está aumentada na anemia de doença crônica. 

Pérola Clínica

Anemia doença crônica: ↑ hepcidina → ↓ ferro sérico, ↑ ferritina.

Resumo-Chave

A anemia de doença crônica é caracterizada pela inflamação que eleva a hepcidina, bloqueando a liberação de ferro dos macrófagos e a absorção intestinal. Isso leva a ferro sérico baixo e ferritina normal/alta, diferenciando-a da anemia ferropriva.

Contexto Educacional

A anemia de doença crônica (ADC), também conhecida como anemia da inflamação, é a segunda causa mais comum de anemia globalmente, superada apenas pela anemia ferropriva. É uma condição multifatorial que ocorre em pacientes com doenças inflamatórias crônicas, infecções crônicas, câncer e doenças autoimunes. Sua compreensão é crucial para o diagnóstico diferencial e manejo adequado, evitando tratamentos ineficazes com ferro. A fisiopatologia da ADC envolve a resposta imune inata. Citocinas pró-inflamatórias, como IL-6, estimulam a produção hepática de hepcidina. A hepcidina é o principal regulador do metabolismo do ferro, bloqueando a ferroportina, o transportador de efluxo de ferro em macrófagos e enterócitos. Isso leva à retenção de ferro dentro das células de armazenamento e à diminuição da absorção intestinal de ferro, resultando em hipoferremia funcional. O diagnóstico é laboratorial, com ferro sérico baixo, saturação de transferrina baixa e ferritina sérica normal ou elevada. O tratamento da ADC foca no manejo da doença subjacente. A suplementação de ferro geralmente não é eficaz e pode ser prejudicial devido ao bloqueio da absorção e liberação de ferro. Em casos graves, pode-se considerar eritropoetina ou transfusões. É fundamental reconhecer que a hepcidina aumentada é um achado *característico* da ADC, e não incompatível, sendo um ponto chave para a diferenciação com outras anemias.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais marcadores laboratoriais da anemia de doença crônica?

Os marcadores incluem ferro sérico baixo, saturação de transferrina baixa e ferritina sérica normal ou elevada. A hepcidina também está aumentada, sendo um achado característico.

Qual o papel da hepcidina na anemia de doença crônica?

A hepcidina, um hormônio hepático, é elevada na inflamação. Ela bloqueia a ferroportina, impedindo a liberação de ferro dos macrófagos e enterócitos, resultando em hipoferremia funcional.

Como diferenciar anemia de doença crônica de anemia ferropriva?

A principal diferença laboratorial é a ferritina: normal/alta na ADC e baixa na anemia ferropriva. A capacidade total de ligação do ferro (TIBC) é geralmente baixa na ADC e alta na ferropriva.

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