Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Mulher de 52 anos encaminhada ao ambulatório de hematologia para investigar causa de anemia que vem apresentando há 8 meses. Considerando os exames diagnósticos e os diferentes tipos de anemia, assinale a alternativa com a correlação CORRETA:
Anemia de doença crônica: transferrina sérica normal/diminuída, ferritina normal/aumentada, ferro sérico ↓.
A anemia de doença crônica (ADC) é uma anemia normocítica-normocrômica (ou microcítica-hipocrômica em casos avançados) caracterizada por ferro sérico baixo, mas com estoques de ferro normais ou aumentados (ferritina normal/alta). A transferrina, que transporta o ferro, pode estar normal ou diminuída, refletindo a inflamação subjacente que afeta sua síntese hepática.
A investigação da anemia é um desafio comum na prática clínica, exigindo a correta interpretação dos exames laboratoriais para um diagnóstico preciso. A anemia de doença crônica (ADC) é a segunda causa mais comum de anemia, superada apenas pela anemia ferropriva, e é frequentemente associada a condições inflamatórias crônicas, infecções ou malignidades. Entender os padrões laboratoriais de cada tipo de anemia é crucial para a tomada de decisão terapêutica adequada e para evitar tratamentos desnecessários ou ineficazes, como a suplementação de ferro em pacientes com ADC sem deficiência de ferro concomitante. Fisiopatologicamente, a ADC envolve a liberação de citocinas inflamatórias (como IL-6) que aumentam a produção de hepcidina. A hepcidina, por sua vez, bloqueia a liberação de ferro dos macrófagos e enterócitos, resultando em hipoferremia funcional e diminuição da eritropoiese. O diagnóstico diferencial com a anemia ferropriva é fundamental e baseia-se principalmente na ferritina sérica (estoques de ferro) e na saturação de transferrina. A talassemia beta menor, por exemplo, cursa com anemia microcítica e hipocrômica, mas com ferro sérico e ferritina normais ou elevados, e eletroforese de hemoglobina alterada. O tratamento da ADC foca na doença de base. Em alguns casos, pode-se considerar o uso de agentes estimuladores da eritropoiese (ESA) ou ferro intravenoso, especialmente se houver um componente de deficiência de ferro. Para residentes, dominar a interpretação desses exames é essencial para a prática diária e para as provas de residência, que frequentemente abordam cenários de anemias complexas e seus diagnósticos diferenciais.
Para diferenciar, observe a ferritina: baixa na ferropriva e normal/alta na de doença crônica. O ferro sérico é baixo em ambas, mas a saturação de transferrina é muito baixa na ferropriva e baixa/normal na de doença crônica. A transferrina é alta na ferropriva e normal/baixa na de doença crônica.
A transferrina é uma proteína de fase aguda negativa, ou seja, sua síntese hepática é diminuída em estados inflamatórios crônicos. Isso contribui para a redução da capacidade de transporte de ferro, mesmo que os estoques estejam adequados.
A contagem de reticulócitos avalia a resposta da medula óssea à anemia. Em anemias por deficiência de produção (como ferropriva ou de doença crônica), os reticulócitos são baixos. Em anemias hemolíticas ou por perda sanguínea aguda, os reticulócitos são elevados.
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