Contraindicações ao Implante de Anel Intraestromal

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015

Enunciado

Qual das situações abaixo pode caracterizar contraindicação para o implante de anel intraestromal?

Alternativas

  1. A) Ectasia adquirida pós-cirurgia refrativa.
  2. B) Ceratometria central superior a 65D.
  3. C) Acuidade visual corrigida menor que ou igual a 0,50.
  4. D) Astigmatismos irregulares e assimétricos.

Pérola Clínica

Ceratometria > 65D → contraindicação relativa/alta para implante de anel intraestromal pelo risco de extrusão.

Resumo-Chave

O implante de anel intraestromal visa regularizar a córnea; porém, em curvaturas extremas (>65D), a eficácia é reduzida e o risco de complicações aumenta.

Contexto Educacional

O anel intraestromal (como os segmentos de Ferrara ou Keraring) atua através do princípio de adição de volume na periferia da córnea, o que gera um aplanamento central proporcional à espessura do segmento. Em casos de ceratocone avançado com K > 65D, a estrutura biomecânica da córnea está tão comprometida que o anel pode não ser sustentado pelo estroma remanescente. A avaliação criteriosa da paquimetria e da topografia/tomografia de córnea é indispensável para o sucesso do procedimento.

Perguntas Frequentes

Por que a ceratometria acima de 65D é uma contraindicação?

Ceratometrias muito elevadas (geralmente acima de 60-65D) indicam um ceratocone em estágio muito avançado, onde a córnea está extremamente fina e deformada. Nessas condições, o implante de segmentos de anel intraestromal apresenta um alto risco de extrusão (o anel 'sai' através do tecido corneano) e de afinamento estromal progressivo sobre o segmento. Além disso, o potencial de aplanamento e regularização óptica é limitado, muitas vezes não proporcionando uma melhora visual satisfatória para o paciente, tornando o transplante de córnea uma opção mais adequada.

Quais são as principais indicações para o anel intraestromal?

As principais indicações incluem ceratocone progressivo com intolerância a lentes de contato rígidas, astigmatismos irregulares pós-transplante de córnea e ectasias iatrogênicas após cirurgia refrativa (LASIK). O objetivo do anel não é curar a doença, mas sim aplanar a curvatura central da córnea e reduzir o astigmatismo irregular, deslocando o ápice do cone para uma posição mais central, o que melhora a acuidade visual corrigida e facilita a adaptação de lentes de contato ou óculos.

Existem contraindicações absolutas além da ceratometria elevada?

Sim, existem várias contraindicações absolutas e relativas. Entre as absolutas, destacam-se a presença de leucomas (cicatrizes) centrais densos que impedem a visão mesmo com a regularização da córnea, infecções oculares ativas, hidropisia corneana prévia e doenças autoimunes do colágeno que afetam a cicatrização. Espessura corneana muito reduzida no trajeto do anel (geralmente menos de 400 micras) também é uma contraindicação importante, pois aumenta drasticamente o risco de perfuração durante a confecção do túnel ou extrusão tardia.

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