HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2023
Você atende em uma unidade básica de saúde, em zona rural bastante pobre, com precárias condições de saneamento básico. A mãe de uma criança de 7 anos queixa-se que o filho tem dores abdominais recorrentes de leve intensidade e não come bem. Ao exame físico ele é pálido, emagrecido e desnutrido leve. O abdome é pouco distendido e não há hepatoesplenomegalia. Demais aspectos do exame físico são normais. O hemograma revela hemoglobina de 8 g/dl. Além de considerar o déficit nutricional, qual parasitose abaixo deve ser lembrada?
Criança em zona rural + saneamento precário + anemia ferropriva grave + desnutrição → pensar em Ancilostomíase.
A ancilostomíase, ou 'amarelão', é uma parasitose intestinal que causa anemia ferropriva grave e desnutrição em crianças de áreas com saneamento precário, devido à perda crônica de sangue no intestino pelos vermes, sendo um diagnóstico essencial nesses contextos.
A ancilostomíase, popularmente conhecida como 'amarelão', é uma helmintíase intestinal causada principalmente por *Ancylostoma duodenale* e *Necator americanus*. É uma doença de grande impacto em saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais com saneamento básico deficiente e solo contaminado. A infecção ocorre pela penetração das larvas filariformes na pele, geralmente pelos pés, em contato com o solo. A doença é particularmente prevalente em crianças de zonas rurais, onde as condições socioeconômicas e de higiene são precárias. A fisiopatologia da ancilostomíase está diretamente ligada à capacidade dos vermes adultos de se fixarem na mucosa intestinal e se alimentarem de sangue, causando uma perda crônica que leva à anemia ferropriva. Essa anemia, somada à perda de apetite e à má absorção de nutrientes, contribui significativamente para a desnutrição e o retardo no desenvolvimento físico e cognitivo das crianças. O diagnóstico é feito pela identificação de ovos nas fezes através do exame parasitológico de fezes (EPF). O tratamento da ancilostomíase é relativamente simples, com o uso de anti-helmínticos eficazes. No entanto, a prevenção é a chave para o controle da doença, envolvendo melhorias no saneamento, educação sanitária e o uso de calçados. Para o residente, é crucial reconhecer o quadro clínico de anemia e desnutrição em crianças de áreas de risco e incluir a ancilostomíase no diagnóstico diferencial, garantindo um tratamento adequado e a melhoria da qualidade de vida desses pacientes.
Os principais sintomas da ancilostomíase em crianças incluem anemia ferropriva (palidez, cansaço, dispneia), dor abdominal, perda de apetite, desnutrição e retardo no crescimento. Em casos de infecção maciça, pode ocorrer edema e hipoproteinemia devido à perda de sangue e proteínas no intestino.
A ancilostomíase causa anemia ferropriva porque os vermes adultos (*Ancylostoma duodenale* e *Necator americanus*) se fixam na mucosa do intestino delgado e se alimentam de sangue, resultando em perda crônica de ferro. A intensidade da anemia é proporcional à carga parasitária e à duração da infecção.
O tratamento da ancilostomíase é feito com anti-helmínticos como albendazol ou mebendazol. As medidas preventivas incluem melhoria do saneamento básico, uso de calçados em áreas contaminadas e educação em saúde sobre higiene pessoal e ambiental, visando interromper o ciclo de vida do parasita.
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