ENARE/ENAMED — Prova 2025
Pré-escolar, sexo feminino, moradora de região rural, apresenta queda do desempenho escolar e frequentemente se queixa de cansaço. Tem dor abdominal e apresenta esporadicamente episódios de diarreia e vômitos. Sua mãe relata já ter percebido vesículas muito pruriginosas na planta dos pés da filha. O exame físico mostra adinamia e palidez. No hemograma apresenta anemia e eosinofilia. O diagnóstico mais provável é:
Anemia + Eosinofilia + Dermatite plantar → Ancilostomíase.
A ancilostomíase causa perda sanguínea crônica intestinal, levando à anemia ferropriva grave e hipoproteinemia em pacientes de áreas com saneamento precário.
A ancilostomíase, também conhecida como 'amarelão', é uma geo-helmintose prevalente em regiões tropicais. O quadro clínico varia desde a dermatite pruriginosa no local da entrada da larva até sintomas gastrointestinais inespecíficos e fadiga extrema decorrente da anemia. Em crianças, pode comprometer o desenvolvimento pôndero-estatural e o rendimento escolar. O diagnóstico laboratorial é confirmado pelo exame parasitológico de fezes (EPF), utilizando métodos como Hoffman ou Kato-Katz para identificação de ovos. A prevenção baseia-se no saneamento ambiental, tratamento de populações infectadas e educação em saúde, enfatizando a importância do uso de calçados e higiene pessoal.
A infecção ocorre principalmente pela penetração ativa de larvas filarióides (L3) na pele intacta, geralmente nos pés, ao caminhar descalço em solo contaminado com fezes humanas. Após a penetração, as larvas passam pela circulação linfática e venosa, chegam aos pulmões (ciclo de Loos), sobem pela árvore brônquica, são deglutidas e fixam-se na mucosa do intestino delgado, onde se tornam vermes adultos e iniciam a hematofagia.
Os vermes adultos (Ancylostoma ou Necator) possuem dentes ou placas cortantes que lesionam a mucosa intestinal para sugar sangue. Eles liberam substâncias anticoagulantes, causando sangramento contínuo nos locais de fixação. A perda crônica de ferro e proteínas resulta em anemia hipocrômica microcítica. A eosinofilia é uma resposta imune comum à fase de migração tecidual das larvas (fase de Loeffler) e à presença dos helmintos.
O tratamento de escolha é feito com anti-helmínticos da classe dos benzimidazóis, como o Albendazol (400 mg em dose única para maiores de 2 anos) ou Mebendazol (100 mg 2x ao dia por 3 dias). Além do tratamento etiológico, é fundamental tratar a anemia ferropriva com suplementação de ferro oral e orientar medidas de saneamento básico e uso de calçados para prevenir a reinfecção.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo