CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2014
Com relação ao vítreo é correto afirmar:
Córtex vítreo > Vítreo central em densidade de colágeno e concentração de hialócitos.
O córtex vítreo é a camada periférica mais densa e organizada, contendo a maior parte das fibrilas de colágeno e células (hialócitos) em comparação ao centro liquefeito.
O corpo vítreo é uma estrutura gelatinosa complexa que preenche cerca de 80% do volume ocular. Sua composição é 98-99% água, mas sua integridade estrutural é mantida por uma rede tridimensional de fibrilas de colágeno tipo II e moléculas de ácido hialurônico. O entendimento da anatomia regional — diferenciando o córtex (periferia) do núcleo (centro) — é fundamental para a oftalmologia clínica e cirúrgica. Na prática, as variações de densidade e aderência explicam a fisiopatologia de diversas doenças vitreorretinianas. Por exemplo, a liquefação do vítreo central com a idade, associada ao enfraquecimento das adesões corticais, leva ao descolamento do vítreo posterior (DVP). Se a aderência na base vítrea ou em vasos for excessiva durante esse processo, podem ocorrer rasgos retinianos ou hemorragias vítreas.
O córtex vítreo é a camada externa, mais densa, que envolve o vítreo central. Ele possui uma concentração significativamente maior de fibrilas de colágeno (principalmente tipo II) e de hialócitos, que são as células residentes responsáveis pela síntese de colágeno e ácido hialurônico. Enquanto o córtex é uma estrutura de gel mais firme, a porção central é mais liquefeita e possui menor densidade de macromoléculas. Essa diferenciação é crucial para entender processos como o descolamento do vítreo posterior, que geralmente começa com a liquefação central (sinérese) e colapso do gel cortical.
Hialócitos são células mononucleares localizadas predominantemente no córtex vítreo, especialmente na região da base vítrea e próximo à retina. Eles desempenham funções metabólicas essenciais, como a produção de glicosaminoglicanos (ácido hialurônico) e colágeno, além de possuírem propriedades fagocíticas, ajudando a manter a transparência do meio vítreo. Sua densidade é máxima no córtex e mínima na porção central, o que explica a maior atividade metabólica e estrutural da periferia vítrea em comparação ao seu núcleo.
A aderência do vítreo à retina não é uniforme. O ponto de maior aderência é a base vítrea, uma região que se estende anteriormente e posteriormente à ora serrata. Outros pontos de forte aderência incluem a margem do disco óptico, a fóvea (mácula) e ao longo dos vasos retinianos principais. É importante notar que, embora a aderência macular seja clinicamente relevante para patologias como o buraco macular, a base vítrea permanece como a zona de fixação mais firme e indissociável durante toda a vida.
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