CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2023
Sobre o vítreo, é correto afirmar:
Liquefação vítrea (sinérese) inicia-se fisiologicamente aos 40 anos.
O vítreo é um gel dinâmico que sofre liquefação progressiva com a idade; a base do vítreo é a região de maior aderência e densidade de colágeno.
O humor vítreo ocupa cerca de 80% do volume ocular e é composto majoritariamente por água, colágeno tipo II e ácido hialurônico. Compreender sua dinâmica de envelhecimento é vital para o diagnóstico de queixas comuns, como 'moscas volantes' (miodesopsias), e para a prevenção de complicações graves como o descolamento de retina. A relação entre o estado vítreo e a saúde do cristalino também é um ponto chave no manejo pós-operatório de cirurgias vitreorretinianas.
A liquefação vítrea, também conhecida como sinérese, é um processo degenerativo fisiológico onde o gel vítreo se separa em componentes líquidos (bolsas de humor aquoso) e agregados de fibras de colágeno. Esse processo geralmente se torna clinicamente detectável ao redor dos 40 anos de idade. Com o tempo, a coalescência dessas lacunas líquidas pode levar ao colapso da estrutura vítrea e ao descolamento do vítreo posterior (DVP). Fatores como miopia axial, trauma e inflamação intraocular podem acelerar significativamente esse processo.
Após uma vitrectomia posterior, o gel vítreo é substituído por solução salina ou humor aquoso, que possuem uma viscosidade muito menor. Isso facilita a difusão de oxigênio proveniente dos vasos retinianos em direção ao cristalino. O aumento da tensão de oxigênio na cavidade vítrea e ao redor do cristalino promove o estresse oxidativo das proteínas lenticulares, levando à formação de catarata nuclear progressiva. Portanto, a vitrectomia aumenta, e não reduz, os níveis de oxigênio disponíveis no segmento posterior.
A base do vítreo é uma zona circunferencial que se estende anteriormente e posteriormente à ora serrata. É a região onde o vítreo possui a maior concentração de fibras de colágeno e a aderência mais forte à retina subjacente e ao epitélio ciliar. Devido a essa forte união, o vítreo nunca se descola da base em condições normais. Trações nessa região durante o processo de DVP ou traumas são as principais causas de roturas retinianas periféricas e subsequente descolamento de retina regmatogênico.
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