AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024
O baço é um órgão hipervascularizado e bem conhecido em momentos cirúrgicos como associado ao trauma contuso, por exemplo. Sobre a vascularização desse órgão e suas sintopias, assinale a alternativa INCORRETA.
Veia esplênica + Veia Mesentérica Superior → Veia Porta; a VMS não drena para a esplênica.
A anatomia vascular do andar superior do abdome é clássica: a veia esplênica recebe a veia mesentérica inferior e se une à veia mesentérica superior para formar a veia porta.
O baço é um órgão intraperitoneal localizado no hipocôndrio esquerdo, protegido pela nona à décima primeira costelas. Sua vascularização é dependente da artéria esplênica, o maior ramo do tronco celíaco. A compreensão das relações anatômicas (sintopia) é vital: o baço relaciona-se anteriormente com o estômago, posteriormente com o diafragma, medialmente com o rim esquerdo e inferiormente com a flexura cólica esquerda. A cauda do pâncreas frequentemente alcança o hilo esplênico, o que exige cautela extrema em esplenectomias para evitar fístulas pancreáticas. No contexto do trauma abdominal contuso, o baço é o órgão sólido mais frequentemente lesionado. O conhecimento da segmentação arterial esplênica permite, em casos selecionados, a realização de esplenectomias parciais ou embolizações superseletivas, preservando a função imunológica do órgão. A drenagem venosa segue a lógica do sistema porta, onde a veia esplênica desempenha papel central, recebendo o retorno venoso do baço, de parte do pâncreas e do estômago antes de se unir à circulação mesentérica.
A veia porta é formada pela confluência da veia esplênica e da veia mesentérica superior (VMS). Este encontro ocorre geralmente atrás do colo do pâncreas. É importante notar que a veia mesentérica inferior (VMI) costuma drenar para a veia esplênica antes desta se unir à VMS, embora existam variações anatômicas onde a VMI pode drenar diretamente na junção ou na VMS. Compreender essa anatomia é fundamental em cirurgias pancreáticas e no manejo da hipertensão portal, onde a descompressão cirúrgica pode envolver esses vasos específicos.
A artéria esplênica é um dos três ramos principais do tronco celíaco, juntamente com a artéria gástrica esquerda e a artéria hepática comum. Ela possui um trajeto tortuoso ao longo da borda superior do pâncreas, o que é uma característica anatômica marcante em exames de imagem. Durante seu percurso, ela emite ramos pancreáticos, as artérias gástricas curtas (que suprem o fundo gástrico) e a artéria gastromental esquerda. Sua posição superior ao pâncreas a torna vulnerável em processos inflamatórios como a pancreatite, podendo levar à formação de pseudoaneurismas.
As artérias gástricas curtas são ramos terminais da artéria esplênica ou de seus ramos hilares. Elas variam em número (geralmente de 5 a 7) e cursam através do ligamento gastrosplênico para suprir o fundo do estômago. Clinicamente, elas são cruciais durante a esplenectomia; se a artéria esplênica for ligada proximalmente à saída desses ramos, o suprimento sanguíneo do fundo gástrico pode ser comprometido, embora a rede anastomótica gástrica seja rica. Em casos de hipertensão portal com trombose da veia esplênica, essas veias podem dilatar-se, formando varizes de fundo gástrico isoladas.
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