SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025
Considere a técnica Transabdominal Pre-Peritoneal Approach (TAPP) para correção cirúrgica de hérnias inguinais por videolaparoscopia. Na visão durante a laparoscopia da região inguinal, utilizando o conceito de “Y” invertido e dos cinco triângulos, publicada por Claus et al. (2020), referente aos marcos anatômicos para dissecção cirúrgica, é correto afirmar que as hérnias inguinais diretas, na visão intracavitária do cirurgião, situam-se:
Hérnia Inguinal Direta = Medial aos vasos epigástricos inferiores; Hérnia Inguinal Indireta = Lateral.
Na visão laparoscópica da região inguinal, os vasos epigástricos inferiores são o marco anatômico crucial para diferenciar os tipos de hérnia. Hérnias diretas protruem pela fraqueza da fáscia transversalis no triângulo de Hesselbach, medialmente a esses vasos.
A herniorrafia inguinal laparoscópica pela técnica Transabdominal Pré-Peritoneal (TAPP) revolucionou o tratamento das hérnias inguinais. Esta abordagem requer um conhecimento profundo da anatomia da região inguinal vista por dentro da cavidade abdominal, que é diferente da visão da cirurgia aberta. A compreensão dos marcos anatômicos é fundamental para a segurança e eficácia do procedimento. O principal marco para a classificação das hérnias é o conjunto dos vasos epigástricos inferiores. Eles formam o limite lateral do triângulo de Hesselbach. As hérnias inguinais diretas ocorrem por uma fraqueza na parede posterior (fáscia transversalis) dentro deste triângulo, portanto, medialmente aos vasos epigástricos. Já as hérnias inguinais indiretas, as mais comuns, ocorrem por persistência do conduto peritônio-vaginal, com o saco herniário emergindo através do anel inguinal profundo, lateralmente aos vasos epigástricos. Além dos vasos epigástricos, o cirurgião deve identificar outras estruturas críticas para evitar complicações, como o 'trígono da dor' (lateral, contendo nervos sensitivos) e o 'trígono de Doom' (medial, contendo os vasos ilíacos externos). O domínio dessa 'anatomia crítica' permite um reparo seguro com tela no espaço pré-peritoneal, minimizando riscos de lesões vasculares, nervosas e a recorrência da hérnia.
A diferenciação é feita pela localização do defeito herniário em relação aos vasos epigástricos inferiores. Defeitos localizados medialmente aos vasos são hérnias diretas, enquanto defeitos laterais, no anel inguinal profundo, são hérnias indiretas.
O 'Trígono de Doom' ou 'triângulo do desastre' é uma área de perigo delimitada pelo ducto deferente e pelos vasos gonadais. Seu conteúdo são os vasos ilíacos externos, e a fixação de tela com grampos nesta região deve ser evitada a todo custo pelo risco de sangramento catastrófico.
A abordagem laparoscópica TAPP geralmente resulta em menor dor pós-operatória, recuperação mais rápida e retorno precoce às atividades. É particularmente vantajosa para o tratamento de hérnias bilaterais ou recidivadas após reparo anterior convencional.
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