Anatomia dos Fotorreceptores: Cones, Bastonetes e Discos

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2018

Enunciado

Sobre os fotorreceptores, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A membrana dos discos dos bastonetes é uma extensão da membrana celular, na sua porção mais externa
  2. B) A porção externa do segmento externo é rica em mitocôndrias
  3. C) A opsina está presente nos cones, mas não nos bastonetes
  4. D) Os bastonetes são menos sensíveis à luz do que os cones

Pérola Clínica

Bastonetes = Alta sensibilidade à luz (visão noturna); Cones = Alta acuidade e cores (visão diurna).

Resumo-Chave

Os fotorreceptores possuem segmentos externos especializados onde ocorre a fototransdução; nos bastonetes, os discos são independentes da membrana plasmática, enquanto nos cones são invaginações desta.

Contexto Educacional

Os fotorreceptores são neurônios altamente especializados que convertem energia luminosa em sinais elétricos através do processo de fototransdução. Eles são compostos por quatro regiões principais: o segmento externo (contendo os discos com fotopigmentos), o cílio de conexão, o segmento interno (com o elipsoide rico em mitocôndrias e o mioide com o retículo endoplasmático) e o terminal sináptico. A opsina é a parte proteica do fotopigmento e está presente tanto nos cones quanto nos bastonetes (onde se une ao retinal para formar a rodopsina). A integridade funcional dessas células depende de uma interação íntima com o Epitélio Pigmentar da Retina (EPR), que é responsável pela fagocitose das pontas dos segmentos externos descamados e pela regeneração do 11-cis-retinal no ciclo visual. Disfunções em qualquer parte dessa estrutura ou no ciclo visual levam a distrofias retinianas, como a Retinose Pigmentar.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença estrutural entre os discos dos cones e dos bastonetes?

A principal diferença estrutural reside na relação dos discos com a membrana plasmática. Nos bastonetes, os discos que contêm o fotopigmento (rodopsina) são formados por invaginações da membrana que se desprendem, tornando-se sacos membranosos achatados e independentes (intracelulares) dentro do segmento externo. Já nos cones, os discos permanecem como invaginações contínuas da membrana plasmática ao longo de todo o segmento externo, não se destacando como unidades isoladas. Essa diferença anatômica reflete processos distintos de renovação e metabolismo dos pigmentos visuais.

Onde se localizam as mitocôndrias nos fotorreceptores?

As mitocôndrias estão concentradas no segmento interno do fotorreceptor, especificamente em uma região chamada elipsoide. O segmento interno é a parte metabolicamente ativa da célula, responsável pela síntese de proteínas e produção de energia (ATP) necessária para manter as bombas iônicas e o transporte de substâncias para o segmento externo. O segmento externo, por outro lado, é especializado quase exclusivamente na fototransdução, contendo os pigmentos visuais e as proteínas da cascata de sinalização luminosa, mas carece de organelas citoplasmáticas como mitocôndrias ou ribossomos.

Como os fotorreceptores diferem em sensibilidade luminosa?

Os bastonetes são extremamente sensíveis à luz, sendo capazes de responder a um único fóton, o que os torna ideais para a visão em condições de baixa luminosidade (visão escotópica). No entanto, eles saturam rapidamente em luz brilhante e não conferem percepção de cores. Os cones têm um limiar de ativação muito mais alto (menor sensibilidade), funcionando apenas em condições de luz moderada a intensa (visão fotópica). Em contrapartida, os cones proporcionam alta acuidade visual e visão de cores, graças à presença de três tipos diferentes de opsinas (fotopsinas) sensíveis a diferentes comprimentos de onda.

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