SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024
Durante a realização de uma colecistectomia videolaparoscópica, é fundamental o conhecimento da anatomia e suas variações para a correta condução do ato cirúrgico. Sobre a anatomia vascular arterial mais comum da vesícula biliar, pode-se afirmar que a artéria cística é ramo:
Artéria cística é ramo da artéria hepática direita no interior do trígono de Calot.
A artéria cística geralmente se origina da artéria hepática direita, cruzando posteriormente ao ducto hepático comum para entrar no triângulo hepatocístico (Calot).
A compreensão precisa da anatomia vascular biliar é o pilar da segurança em cirurgia abdominal. A artéria cística, sendo o principal suprimento sanguíneo da vesícula, deve ser isolada com precisão. Durante a colecistectomia videolaparoscópica, a tração lateral do fundo da vesícula e a tração ínfero-lateral do infundíbulo ajudam a abrir o triângulo de Calot, facilitando a identificação da artéria cística e do ducto cístico. A iatrogenia biliar e vascular é uma das complicações mais temidas, muitas vezes decorrente de variações anatômicas não reconhecidas ou inflamação intensa que distorce os planos teciduais. Portanto, a regra de ouro é nunca clipar ou cortar qualquer estrutura até que a 'Visão Crítica de Segurança' de Strasberg seja obtida, o que exige que a base da vesícula seja separada do leito hepático e que apenas duas estruturas (ducto e artéria cística) sejam vistas entrando na vesícula.
Na anatomia clássica (presente em cerca de 70-80% dos indivíduos), a artéria cística origina-se como um ramo da artéria hepática direita. Após sua origem, ela geralmente entra no trígono de Calot (espaço delimitado pelo ducto cístico, ducto hepático comum e borda inferior do fígado), onde se divide em ramos superficial e profundo para suprir a vesícula biliar. Conhecer essa origem é vital para evitar hemorragias ou ligaduras inadvertidas de vasos vitais durante procedimentos cirúrgicos.
O trígono de Calot, ou triângulo hepatocístico, é uma região anatômica delimitada pelo ducto cístico lateralmente, pelo ducto hepático comum medialmente e pela borda inferior do fígado superiormente. Sua importância cirúrgica é extrema, pois é o local onde a artéria cística é mais frequentemente identificada e ligada durante a colecistectomia. A dissecção cuidadosa desse espaço é o passo principal para alcançar a 'Visão Crítica de Segurança', prevenindo lesões iatrogênicas da via biliar principal e da artéria hepática direita.
Embora a origem na artéria hepática direita seja a mais comum, existem variações significativas. A artéria cística pode originar-se da artéria hepática esquerda, da artéria hepática própria, da artéria gastroduodenal ou até da artéria mesentérica superior. Além disso, pode haver artérias císticas duplas ou uma artéria hepática direita acessória/substituta passando pelo trígono de Calot. O cirurgião deve estar sempre alerta para essas variações para evitar a interrupção acidental do suprimento arterial para o lobo direito do fígado.
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