Nervos Lesados na Hernioplastia Inguinal por Inguinotomia

SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024

Enunciado

No reparo de uma hérnia inguinal por inguinotomia, assinale a alternativa que descreve os nervos que podem mais comumente serem lesados:

Alternativas

  1. A) ilioinguinal, cutâneo lateral da coxa
  2. B) pudendo, iliohipogástrico
  3. C) pudendo, cutâneo lateral da coxa, ilioinguinal
  4. D) ilioinguinal, ramo genital do nervo gênito femoral, iliohipogástrico

Pérola Clínica

Inguinotomia → Risco de lesão: Ilioinguinal, Ilio-hipogástrico e Ramo Genital do Gênito-femoral.

Resumo-Chave

Durante a via aberta (inguinotomia), a identificação e preservação dos três nervos sensitivos que atravessam o canal inguinal são fundamentais para evitar a inguinodinia crônica.

Contexto Educacional

A anatomia da região inguinal é um tema recorrente em provas de residência e fundamental na prática do cirurgião geral. A via de acesso anterior (inguinotomia) expõe nervos que se originam do plexo lombar (L1-L2). O nervo ilio-hipogástrico e o ilioinguinal perfuram o músculo transverso e o oblíquo interno, tornando-se superficiais à medida que avançam medialmente. Na técnica de Lichtenstein, o 'gold standard' atual, a tela de polipropileno é fixada sobre o assoalho do canal inguinal. O cirurgião deve ter cautela extrema para não incluir esses nervos nas suturas de fixação da tela ou permitir que a borda da tela cause compressão extrínseca. A compreensão precisa dessa neuroanatomia reduz a incidência de complicações sensoriais a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais nervos são mais comumente lesados na inguinotomia?

Os três nervos principais em risco durante uma inguinotomia para reparo de hérnia inguinal são o nervo ilioinguinal, o nervo ilio-hipogástrico e o ramo genital do nervo gênito-femoral. O nervo ilioinguinal é frequentemente o mais exposto logo abaixo da aponeurose do músculo oblíquo externo. O ilio-hipogástrico situa-se superiormente a ele, enquanto o ramo genital do gênito-femoral acompanha as estruturas do funículo espermático (ou ligamento redondo na mulher). A lesão ou aprisionamento desses nervos pela tela ou suturas é a principal causa de dor crônica pós-operatória.

Como diferenciar a dor de cada nervo lesado?

A dor ou parestesia segue a distribuição dermatômica: o nervo ilioinguinal inerva a base do pênis, o escroto anterior (ou grandes lábios) e a face medial da coxa. O nervo ilio-hipogástrico inerva a região suprapúbica. O ramo genital do gênito-femoral é responsável pela sensibilidade do escroto e pela parte motora do reflexo cremastérico. Clinicamente, a dor crônica (inguinodinia) é definida como dor persistente por mais de 3 meses após a cirurgia, muitas vezes com caráter neuropático, impactando significativamente a qualidade de vida do paciente.

Qual a melhor estratégia para evitar lesões nervosas?

A melhor estratégia é a identificação sistemática dos três nervos logo após a abertura da aponeurose do oblíquo externo. Uma vez identificados, eles devem ser gentilmente afastados do campo cirúrgico. No caso do ramo genital do gênito-femoral, deve-se evitar a dissecção excessiva do funículo espermático. Se um nervo for acidentalmente seccionado, a recomendação atual é a neurectomia proximal com sepultamento do coto dentro da musculatura para evitar a formação de neuromas de amputação dolorosos.

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