FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Com relação às complicações pós-anastomoses gastrointestinais, assinalar a alternativa correta:
Anastomoses grampeadas (stapled) → ↑ risco de estenose tardia vs manuais.
Complicações anastomóticas dependem de fatores locais (tensão, vascularização) e sistêmicos (nutrição, oxigenação). Anastomoses grampeadas podem apresentar maiores taxas de estenose a longo prazo.
As anastomoses gastrointestinais são procedimentos rotineiros, mas carregam riscos significativos de morbidade. A fístula anastomótica é uma das complicações mais temidas, elevando o tempo de internação e a mortalidade. A escolha entre técnica manual ou grampeada depende da localização anatômica e preferência do cirurgião, embora evidências sugiram que grampeadores facilitam o acesso em locais profundos (como a pelve). O entendimento de que a cicatrização é um processo biológico complexo, influenciado tanto pela técnica (ausência de tensão, boa vascularização) quanto pelo estado sistêmico do paciente, é essencial para o cirurgião moderno minimizar falhas e gerenciar complicações de forma eficaz.
As anastomoses grampeadas, especialmente as circulares término-terminais, podem resultar em uma área de cicatrização mais rígida e com maior deposição de colágeno ou isquemia relativa na borda do grampeamento. Com o tempo, a contração cicatricial nesse anel fixo pode levar a taxas ligeiramente superiores de estenose em comparação com suturas manuais, que permitem maior elasticidade.
O manejo inicial de fístulas de baixo débito (<500ml/dia) em pacientes estáveis é geralmente conservador. Baseia-se no tripé: controle da sepse (drenagem de coleções), suporte nutricional adequado (frequentemente nutrição parenteral ou enteral distal à fístula) e proteção da pele adjacente. A reoperação precoce em tecidos inflamados é evitada devido ao alto risco de novas fístulas.
Fatores como desnutrição (albumina < 3,0 g/dL), anemia grave, uso crônico de corticosteroides, diabetes mellitus descompensado, tabagismo e hipóxia tecidual (choque ou má perfusão) são determinantes críticos. Eles interferem na síntese de colágeno e na angiogênese, aumentando o risco de deiscência e fístulas, independentemente da técnica cirúrgica utilizada.
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