UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Sobre os prós e contras dos tipos de anastomose utilizando o intestino delgado, é correto afirmar que:
Anastomoses laterolaterais oferecem maior lúmen e segurança em alças de calibres diferentes.
A escolha da técnica de anastomose no intestino delgado deve considerar a vascularização e o calibre das alças; técnicas laterolaterais são frequentemente preferidas pela maior área de lúmen e menor risco de estenose.
A realização de anastomoses intestinais é uma habilidade fundamental na cirurgia geral. A escolha entre as técnicas terminoterminal, laterolateral ou terminolateral depende do cenário clínico (cirurgia eletiva vs. emergência), da disponibilidade de grampeadores e da anatomia do paciente. Historicamente, as anastomoses manuais terminoterminais eram o padrão, mas as técnicas laterolaterais ganharam espaço pela maior segurança em relação ao suprimento sanguíneo e diâmetro do lúmen. O cirurgião deve dominar os princípios de Halsted para garantir uma anastomose sem tensão, bem vascularizada e hermética, minimizando as taxas de deiscência, que permanecem como uma das complicações mais temidas na cirurgia digestiva.
A anastomose laterolateral é amplamente utilizada, especialmente em procedimentos grampeados, devido à sua facilidade técnica e segurança. Suas principais vantagens incluem a criação de um estoma (lúmen) significativamente maior do que o diâmetro original da alça, o que reduz drasticamente o risco de estenose pós-operatória. Além disso, é a técnica de escolha quando há uma grande discrepância de calibre entre as duas alças a serem unidas, pois não exige manobras complexas de compensação de diâmetro, como a técnica de Cheatle usada em anastomoses terminoterminais.
A anastomose terminoterminal é a mais fisiológica, mantendo o trânsito intestinal em linha reta. No entanto, apresenta desafios técnicos quando as alças possuem calibres diferentes, exigindo spatulização ou suturas assimétricas que podem comprometer a vascularização da borda antimesentérica. O principal risco é a estenose da linha de sutura, especialmente se houver isquemia local ou se o diâmetro inicial da alça já for reduzido. Além disso, a ocorrência de hematomas na linha de sutura pode ser mais problemática nesta configuração devido ao espaço restrito.
O suprimento sanguíneo é o fator mais crítico para a cicatrização de qualquer anastomose. Nas anastomoses terminoterminais, a vascularização depende inteiramente dos vasos que chegam à extremidade seccionada da alça. Já nas anastomoses laterolaterais ou lateroterminais, o cirurgião deve estar atento ao suprimento do 'fundo cego' ou coto remanescente. Se o coto for muito longo ou mal vascularizado, pode ocorrer necrose e deiscência (síndrome do coto cego). Portanto, a preservação cuidadosa do mesentério até a borda da anastomose é obrigatória em qualquer técnica.
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