UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2021
Sobre anamnese e exame físico de um paciente idoso, é INCORRETO afirmar que:
Em idosos, é comum múltiplas causas para um sintoma (polipatologia) e apresentação atípica das doenças; o 'fenômeno iceberg' é frequente.
A consulta geriátrica é complexa devido à polipatologia, polifarmácia, apresentação atípica das doenças e desafios na comunicação. É comum que um sintoma tenha múltiplas causas e que muitos problemas de saúde permaneçam ocultos, o que exige uma abordagem abrangente e detalhada.
A anamnese e o exame físico do paciente idoso representam um pilar fundamental na geriatria, exigindo uma abordagem diferenciada e sensível às peculiaridades dessa faixa etária. Diferente de pacientes mais jovens, a comunicação pode ser dificultada por déficits sensoriais (audição, visão) e cognitivos (memória), além da tendência do idoso em minimizar ou superestimar sintomas. É crucial estabelecer um ambiente de confiança e utilizar estratégias de comunicação adaptadas para obter um histórico completo e preciso. Um conceito central na geriatria é o 'fenômeno iceberg', que descreve a situação em que muitos problemas de saúde do idoso permanecem ocultos ou não são espontaneamente relatados, emergindo apenas com uma investigação ativa e detalhada. Além disso, a polipatologia – a coexistência de múltiplas doenças crônicas – é a regra, não a exceção. Isso significa que é incomum encontrar apenas uma causa para um sinal ou sintoma; frequentemente, um único sintoma pode ser o resultado da interação de várias condições, medicamentos e fatores sociais, exigindo um raciocínio clínico complexo e holístico. No atendimento ao idoso, o médico deve estar atento às apresentações atípicas das doenças, onde sintomas clássicos podem estar ausentes ou mascarados, e sintomas inespecíficos (como confusão mental, quedas, incontinência) podem ser a única manifestação de uma doença grave. A avaliação funcional, social e ambiental é tão importante quanto a avaliação médica tradicional. O objetivo é não apenas tratar doenças, mas promover a autonomia, a qualidade de vida e prevenir a iatrogenia, considerando sempre a complexidade e a individualidade de cada paciente idoso.
Os desafios incluem déficits de memória, dificuldade de audição, lentidão no processamento de informações, e a tendência de idosos em omitir ou desvalorizar sintomas, ou, inversamente, hipervalorizá-los. A presença de múltiplos problemas de saúde e polifarmácia também complexifica a coleta de informações.
O fenômeno iceberg refere-se ao fato de que muitos problemas de saúde em idosos permanecem ocultos ou submersos durante a entrevista inicial. Apenas a 'ponta do iceberg' (sintomas mais evidentes) é relatada, enquanto condições subjacentes importantes podem não ser mencionadas, exigindo uma investigação ativa e detalhada por parte do médico.
É comum devido à polipatologia (presença de múltiplas doenças crônicas), polifarmácia (uso de vários medicamentos com potenciais efeitos adversos), e à apresentação atípica das doenças na velhice. Um sintoma como fadiga, por exemplo, pode ser causado por anemia, insuficiência cardíaca, hipotireoidismo, depressão ou efeitos colaterais de medicamentos, simultaneamente.
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