Efeitos Colaterais dos Análogos de Prostaglandinas no Glaucoma

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2017

Enunciado

As fotos abaixo correspondem ao mesmo paciente em momentos diferentes, antes e após o uso crônico de determinado colírio. Qual a ordem cronológica correta das fotos e a medicação mais provável a causa esta alteração?

Alternativas

  1. A) A foto 01 e anterior a foto 02 e a medicação mais provável é o tartarato de brimonidina 0,2%.
  2. B) A foto 02 e anterior a foto 01 e a medicação mais provável é a brinzolamida 1%.
  3. C) A foto 01 e anterior a foto 02 e a medicação mais provável é a latanoprosta 0,005%.
  4. D) A foto 02 e anterior a foto 01 e a medicação mais provável é o tartarato de maleato de timolol 0,5%.

Pérola Clínica

Latanoprosta → ↑ Comprimento dos cílios + ↑ Pigmentação da íris + Hiperemia conjuntival.

Resumo-Chave

Os análogos de prostaglandinas, como a latanoprosta, aumentam o escoamento uveoscleral do humor aquoso e causam alterações estéticas características como hipertricose e escurecimento da íris.

Contexto Educacional

A latanoprosta revolucionou o tratamento do glaucoma por permitir o controle pressórico eficaz com dose única diária. O reconhecimento de seus efeitos colaterais externos é fundamental para o manejo das expectativas do paciente e para o diagnóstico diferencial de alterações oculares. A questão aborda a cronologia e a identificação visual dessas mudanças, consolidando o conhecimento sobre a classe farmacológica mais utilizada na oftalmologia moderna para redução da PIO.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais efeitos colaterais estéticos da latanoprosta?

O uso crônico de análogos de prostaglandinas, como a latanoprosta, está associado a três alterações estéticas principais: a hipertricose ciliar (aumento do comprimento, espessura e número de cílios), a hiperpigmentação da íris (especialmente em íris de cores mistas, como castanho-claro ou esverdeado) e a hiperpigmentação da pele periorbitária. Além disso, pode ocorrer a chamada 'orbitopatia por prostaglandina', caracterizada por atrofia da gordura periorbitária, resultando em aprofundamento do sulco palpebral superior. Enquanto a hipertricose e a pigmentação da pele costumam ser reversíveis, a mudança na cor da íris é geralmente permanente devido ao aumento do conteúdo de melanina nos melanócitos estromais.

Como a latanoprosta reduz a pressão intraocular?

A latanoprosta é um análogo da prostaglandina F2-alfa que atua como um agonista seletivo do receptor prostanóide FP. Seu mecanismo de ação principal para a redução da pressão intraocular (PIO) é o aumento do escoamento do humor aquoso através da via uveoscleral (via não convencional). Ela promove o remodelamento da matriz extracelular no músculo ciliar, reduzindo a resistência ao fluxo. É considerada uma medicação de primeira linha no tratamento do glaucoma de ângulo aberto e da hipertensão ocular devido à sua alta eficácia (redução de 25-35% da PIO), posologia conveniente de uma vez ao dia e perfil de segurança sistêmica favorável em comparação aos betabloqueadores.

Existem contraindicações específicas para o uso de análogos de prostaglandinas?

Embora sejam seguros sistemicamente, os análogos de prostaglandinas devem ser usados com cautela em pacientes com histórico de uveíte anterior ativa, pois podem exacerbar a inflamação intraocular. Outra preocupação é em pacientes com risco de edema macular cistoide, especialmente afácicos ou pseudofácicos com ruptura da cápsula posterior do cristalino. Também deve-se evitar o uso em casos de ceratite herpética ativa ou recorrente, pois há evidências de que as prostaglandinas podem favorecer a reativação do vírus herpes simples. Em casos de glaucoma unilateral, o paciente deve ser alertado sobre a possível heterocromia (diferença de cor entre os olhos) resultante do tratamento.

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