CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2017
As fotos abaixo correspondem ao mesmo paciente em momentos diferentes, antes e após o uso crônico de determinado colírio. Qual a ordem cronológica correta das fotos e a medicação mais provável a causa esta alteração?
Latanoprosta → ↑ Comprimento dos cílios + ↑ Pigmentação da íris + Hiperemia conjuntival.
Os análogos de prostaglandinas, como a latanoprosta, aumentam o escoamento uveoscleral do humor aquoso e causam alterações estéticas características como hipertricose e escurecimento da íris.
A latanoprosta revolucionou o tratamento do glaucoma por permitir o controle pressórico eficaz com dose única diária. O reconhecimento de seus efeitos colaterais externos é fundamental para o manejo das expectativas do paciente e para o diagnóstico diferencial de alterações oculares. A questão aborda a cronologia e a identificação visual dessas mudanças, consolidando o conhecimento sobre a classe farmacológica mais utilizada na oftalmologia moderna para redução da PIO.
O uso crônico de análogos de prostaglandinas, como a latanoprosta, está associado a três alterações estéticas principais: a hipertricose ciliar (aumento do comprimento, espessura e número de cílios), a hiperpigmentação da íris (especialmente em íris de cores mistas, como castanho-claro ou esverdeado) e a hiperpigmentação da pele periorbitária. Além disso, pode ocorrer a chamada 'orbitopatia por prostaglandina', caracterizada por atrofia da gordura periorbitária, resultando em aprofundamento do sulco palpebral superior. Enquanto a hipertricose e a pigmentação da pele costumam ser reversíveis, a mudança na cor da íris é geralmente permanente devido ao aumento do conteúdo de melanina nos melanócitos estromais.
A latanoprosta é um análogo da prostaglandina F2-alfa que atua como um agonista seletivo do receptor prostanóide FP. Seu mecanismo de ação principal para a redução da pressão intraocular (PIO) é o aumento do escoamento do humor aquoso através da via uveoscleral (via não convencional). Ela promove o remodelamento da matriz extracelular no músculo ciliar, reduzindo a resistência ao fluxo. É considerada uma medicação de primeira linha no tratamento do glaucoma de ângulo aberto e da hipertensão ocular devido à sua alta eficácia (redução de 25-35% da PIO), posologia conveniente de uma vez ao dia e perfil de segurança sistêmica favorável em comparação aos betabloqueadores.
Embora sejam seguros sistemicamente, os análogos de prostaglandinas devem ser usados com cautela em pacientes com histórico de uveíte anterior ativa, pois podem exacerbar a inflamação intraocular. Outra preocupação é em pacientes com risco de edema macular cistoide, especialmente afácicos ou pseudofácicos com ruptura da cápsula posterior do cristalino. Também deve-se evitar o uso em casos de ceratite herpética ativa ou recorrente, pois há evidências de que as prostaglandinas podem favorecer a reativação do vírus herpes simples. Em casos de glaucoma unilateral, o paciente deve ser alertado sobre a possível heterocromia (diferença de cor entre os olhos) resultante do tratamento.
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