UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023
Adolescente, 12 anos, chega ao pronto socorro com queixa de cefaleia importante, progressiva, há 3 dias, associada a vômito e febre. Mãe refere que teve caso de meningite meningocócica na sala de aula da adolescente. Ao exame físico, prostrada, facie de dor, rigidez de nuca, sinais de Kerning e Brudzinski presentes. O médico do pronto socorro optou por coletar líquor. Sendo alta a probabilidade desse líquor vir com características de meningite bacteriana, o que podemos esperar:
Meningite bacteriana: LCR com glicose ↓, proteínas ↑, neutrófilos ↑, Gram positivo.
Na meningite bacteriana, o líquor tipicamente apresenta glicose diminuída (consumo bacteriano), proteínas elevadas (inflamação e extravasamento), pleocitose com predomínio de neutrófilos e, frequentemente, Gram positivo para bactérias.
A meningite bacteriana é uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento rápidos. A análise do líquor cefalorraquidiano (LCR) é fundamental para o diagnóstico diferencial e para guiar a terapia antimicrobiana. A coleta do LCR, realizada por punção lombar, deve ser feita após avaliação clínica e, se necessário, neuroimagem. As características típicas do LCR na meningite bacteriana incluem: pressão de abertura elevada, glicose diminuída (geralmente < 40 mg/dL ou < 40% da glicemia sérica), proteínas elevadas (> 100 mg/dL), pleocitose acentuada (> 1000 células/mm³) com predomínio de neutrófilos (> 80%), e frequentemente, a coloração de Gram revela bactérias. Esses achados refletem a intensa resposta inflamatória e o metabolismo bacteriano no espaço subaracnoideo. O reconhecimento rápido desses padrões no LCR é crucial para iniciar o tratamento empírico adequado, que deve ser ajustado após a identificação do agente etiológico e seu perfil de sensibilidade. A compreensão das alterações do LCR é um pilar no manejo de pacientes com suspeita de meningite, sendo um conhecimento indispensável para residentes.
Na meningite bacteriana, o líquor tipicamente apresenta glicose diminuída, proteínas elevadas, pleocitose com predomínio de neutrófilos e, em muitos casos, a microscopia Gram é positiva para bactérias.
A glicose está diminuída no líquor devido ao consumo de glicose pelas bactérias e pelas células inflamatórias (neutrófilos) presentes no espaço subaracnoideo, além de alterações no transporte de glicose.
A meningite viral geralmente apresenta glicose normal, proteínas discretamente elevadas e predomínio linfomonocitário na celularidade, diferentemente da bacteriana que tem glicose baixa e predomínio de neutrófilos.
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