Meningite Bacteriana: Análise do Líquor e Diagnóstico

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023

Enunciado

Adolescente, 12 anos, chega ao pronto socorro com queixa de cefaleia importante, progressiva, há 3 dias, associada a vômito e febre. Mãe refere que teve caso de meningite meningocócica na sala de aula da adolescente. Ao exame físico, prostrada, facie de dor, rigidez de nuca, sinais de Kerning e Brudzinski presentes. O médico do pronto socorro optou por coletar líquor. Sendo alta a probabilidade desse líquor vir com características de meningite bacteriana, o que podemos esperar:

Alternativas

  1. A) Glicose diminuída, microscopia positiva para gram, células predominantes: neutrófilos.
  2. B) Glicose normal, microscopia negativa para gram, células predominantes: neutrófilos.
  3. C) Pressão normal, glicose normal, microscopia negativa para gram, menos que 15 células.
  4. D) Pressão normal, glicose diminuída, microscopia positiva para gram, células predominantes: linfomonocitária.
  5. E) Nenhuma das alternativas está correta.

Pérola Clínica

Meningite bacteriana: LCR com glicose ↓, proteínas ↑, neutrófilos ↑, Gram positivo.

Resumo-Chave

Na meningite bacteriana, o líquor tipicamente apresenta glicose diminuída (consumo bacteriano), proteínas elevadas (inflamação e extravasamento), pleocitose com predomínio de neutrófilos e, frequentemente, Gram positivo para bactérias.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana é uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento rápidos. A análise do líquor cefalorraquidiano (LCR) é fundamental para o diagnóstico diferencial e para guiar a terapia antimicrobiana. A coleta do LCR, realizada por punção lombar, deve ser feita após avaliação clínica e, se necessário, neuroimagem. As características típicas do LCR na meningite bacteriana incluem: pressão de abertura elevada, glicose diminuída (geralmente < 40 mg/dL ou < 40% da glicemia sérica), proteínas elevadas (> 100 mg/dL), pleocitose acentuada (> 1000 células/mm³) com predomínio de neutrófilos (> 80%), e frequentemente, a coloração de Gram revela bactérias. Esses achados refletem a intensa resposta inflamatória e o metabolismo bacteriano no espaço subaracnoideo. O reconhecimento rápido desses padrões no LCR é crucial para iniciar o tratamento empírico adequado, que deve ser ajustado após a identificação do agente etiológico e seu perfil de sensibilidade. A compreensão das alterações do LCR é um pilar no manejo de pacientes com suspeita de meningite, sendo um conhecimento indispensável para residentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos do líquor na meningite bacteriana?

Na meningite bacteriana, o líquor tipicamente apresenta glicose diminuída, proteínas elevadas, pleocitose com predomínio de neutrófilos e, em muitos casos, a microscopia Gram é positiva para bactérias.

Por que a glicose está diminuída no líquor da meningite bacteriana?

A glicose está diminuída no líquor devido ao consumo de glicose pelas bactérias e pelas células inflamatórias (neutrófilos) presentes no espaço subaracnoideo, além de alterações no transporte de glicose.

Como diferenciar a meningite bacteriana da viral pela análise do líquor?

A meningite viral geralmente apresenta glicose normal, proteínas discretamente elevadas e predomínio linfomonocitário na celularidade, diferentemente da bacteriana que tem glicose baixa e predomínio de neutrófilos.

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