Análise do Líquor: Diferenciando Meningite Bacteriana e Viral

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2022

Enunciado

Pré-escolar de 2 anos e meio apresenta-se com quadro de cefaleia, náusea, vômitos, anorexia, agitação, alteração do estado de consciência e irritabilidade. Ao exame apresenta elevação da temperatura, fotofobia, dor à mobilização cervical e obnubilação. É realizada punção lombar e a análise do líquor demonstra a presença de 550 leucócitos com predomínio de polimorfonucleares, proteinorraquia de 120mg dL e glicorraquia de 60mg dL.Analise as asserções abaixo e a relação proposta entre elas. I – A etiologia viral fica descartada neste caso.PORQUEII – O predomínio de polimorfonucleares confirma a etiologia bacteriana do caso.A respeito destas asserções, assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. 
  2. B) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. 
  3. C) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. 
  4. D) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
  5. E) As asserções I e II são proposições falsas.

Pérola Clínica

Líquo: Polimorfonucleares + Glicose ↓ + Proteína ↑ → Sugere meningite bacteriana. Glicose normal + Linfomononucleares → Viral.

Resumo-Chave

A análise do líquor com 550 leucócitos e predomínio de polimorfonucleares, proteinorraquia elevada (120mg/dL) e glicorraquia normal (60mg/dL) não descarta etiologia viral, pois algumas meningites virais (especialmente no início) podem apresentar predomínio de polimorfonucleares e glicose normal. Portanto, ambas as asserções são falsas.

Contexto Educacional

A diferenciação entre meningite bacteriana e viral é um desafio diagnóstico crucial em pediatria, com implicações significativas para o tratamento e prognóstico. A análise do líquor cefalorraquidiano (LCR) é a ferramenta diagnóstica mais importante, mas sua interpretação exige conhecimento detalhado dos padrões esperados e das exceções. Na meningite bacteriana, espera-se uma pleocitose acentuada com predomínio de polimorfonucleares, proteinorraquia muito elevada e glicorraquia significativamente reduzida. Já na meningite viral, o padrão clássico inclui pleocitose linfomononuclear, proteinorraquia levemente elevada e glicorraquia normal. No entanto, a questão apresenta um cenário com predomínio de polimorfonucleares (550 leucócitos) e proteinorraquia elevada (120 mg/dL), mas com glicorraquia normal (60 mg/dL). Este padrão não descarta a etiologia viral, pois algumas meningites virais (especialmente no início da doença) podem cursar com predomínio de polimorfonucleares. Além disso, a glicorraquia normal é mais consistente com etiologia viral do que bacteriana, que tipicamente causa hipoglicorraquia. Portanto, a asserção I ("A etiologia viral fica descartada neste caso") é falsa, e a asserção II ("O predomínio de polimorfonucleares confirma a etiologia bacteriana do caso") também é falsa, pois o predomínio de polimorfonucleares pode ocorrer em meningites virais e a glicorraquia normal não corrobora a etiologia bacteriana. A decisão terapêutica inicial, especialmente em crianças, muitas vezes envolve a cobertura empírica para bactérias até a confirmação etiológica, dada a gravidade potencial da meningite bacteriana.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos do líquor na meningite bacteriana?

Na meningite bacteriana, o líquor geralmente apresenta pleocitose intensa (centenas a milhares de células/mm³) com predomínio de polimorfonucleares, proteinorraquia muito elevada (>100 mg/dL) e glicorraquia muito baixa (<40 mg/dL ou <40% da glicemia sérica).

Como o líquor se apresenta na meningite viral?

A meningite viral tipicamente mostra pleocitose moderada (dezenas a poucas centenas de células/mm³) com predomínio de linfomononucleares, proteinorraquia levemente elevada (geralmente <100 mg/dL) e glicorraquia normal.

É possível ter predomínio de polimorfonucleares em meningite viral?

Sim, no início de algumas meningites virais, especialmente as causadas por enterovírus, pode haver um predomínio transitório de polimorfonucleares no líquor. Por isso, a análise isolada do predomínio celular não é suficiente para descartar a etiologia viral, sendo necessário considerar todos os parâmetros do líquor e a evolução clínica.

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