Tuberculose Pleural: Análise do Líquido Pleural

HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2015

Enunciado

Paciente masculino, de 34 anos, morador de rua, trazido ao serviço de saúde pela assistência social do município devido às precárias condições de saúde. Paciente apresentando caquexia importante, prostração e tosse seca persistente. Queixava-se de dispneia. Observado, durante internação hospitalar, febre diária vespertina e derrame pleural moderado à direita na radiografia de tórax. Considerando o diagnóstico de tuberculose pleural, assinale a alternativa que apresenta o que NÃO seria esperado encontrar na análise do líquido pleural desse paciente.

Alternativas

  1. A) Aumento de células mesoteliais na citometria.
  2. B) LDH aumentada e mais que 3,0 g/dl de proteínas.
  3. C) Adenosina deaminase maior que 40 U/L.
  4. D) Celularidade com predomínio de linfócitos. 

Pérola Clínica

Derrame pleural tuberculoso = exsudato linfocítico, ADA ↑, células mesoteliais ↓.

Resumo-Chave

No derrame pleural tuberculoso, a inflamação granulomatosa na pleura leva à destruição das células mesoteliais. Portanto, um aumento dessas células na citometria do líquido pleural não é esperado, sendo mais comum encontrar predomínio de linfócitos e ADA elevada.

Contexto Educacional

A tuberculose pleural é uma forma comum de tuberculose extrapulmonar, especialmente prevalente em populações vulneráveis, como moradores de rua. O diagnóstico baseia-se na combinação de achados clínicos, radiológicos e, fundamentalmente, na análise do líquido pleural. A compreensão das características bioquímicas e citológicas do derrame pleural tuberculoso é essencial para o diagnóstico diferencial e a conduta terapêutica adequada. O líquido pleural na tuberculose é classicamente um exsudato, conforme os Critérios de Light, com alta concentração de proteínas e LDH. A presença de linfocitose e níveis elevados de Adenosina Deaminase (ADA) são marcadores importantes, sendo a ADA um dos testes mais sensíveis e específicos. Contudo, um ponto crucial para as provas de residência e a prática clínica é que a inflamação granulomatosa na pleura tende a destruir as células mesoteliais, tornando a baixa contagem ou ausência dessas células um achado esperado e distintivo, o que a diferencia de derrames pleurais de outras etiologias, como os parapneumônicos ou neoplásicos, onde as células mesoteliais podem estar aumentadas.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas que sugerem tuberculose pleural?

Pacientes com tuberculose pleural frequentemente apresentam tosse seca persistente, dispneia, febre diária vespertina, prostração e perda de peso. Fatores de risco como morar na rua ou imunossupressão aumentam a suspeita.

Quais são os achados típicos da análise do líquido pleural na tuberculose?

O líquido pleural é um exsudato com predomínio de linfócitos, LDH aumentada, proteínas acima de 3,0 g/dL e, crucialmente, Adenosina Deaminase (ADA) geralmente maior que 40 U/L. A contagem de células mesoteliais costuma ser baixa ou ausente.

Por que o aumento de células mesoteliais não é esperado na tuberculose pleural?

Na tuberculose pleural, a inflamação granulomatosa e a fibrose da pleura parietal e visceral tendem a destruir as células mesoteliais. Portanto, a presença de poucas ou nenhuma célula mesotelial é um achado característico, diferenciando-a de outras causas de derrame pleural.

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