UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Paciente de 33 anos, sem comorbidades conhecidas, tabagista e com histórico de consumo eventual de bebidas alcoólicas, foi encaminhado da UPA para o Ambulatório por tosse há 4 semanas, inapetência, calafrios eventuais que relaciona com “febre interna” e discreto emagrecimento. Já havia procurado a UBS local, tendo sido prescritos amoxicilina e anti-inflamatórios por 5 dias. Raio X de tórax revelou volumoso derrame pleural à direita com compressão de cerca de metade do pulmão ipsilateral, sem desvio do mediastino. Optou-se por toracocentese. Assinale a assertiva correta sobre a análise do líquido pleural.
Derrame pleural: análise macroscópica, bioquímica e bacteriológica guiam diagnóstico e conduta (complicado vs. não complicado).
A análise do líquido pleural vai além da distinção transudato/exsudato. Aspecto, celularidade, bioquímica (glicose, LDH, pH) e microbiologia são cruciais para identificar a etiologia e determinar se o derrame é complicado, influenciando diretamente o manejo terapêutico.
O derrame pleural é o acúmulo anormal de líquido no espaço pleural, sendo um achado comum na prática clínica e um desafio diagnóstico. Sua etiologia é vasta, variando de condições benignas a malignas, e a correta identificação é crucial para o manejo adequado. A toracocentese diagnóstica é o procedimento padrão para a análise do líquido pleural, fornecendo informações essenciais. A análise do líquido pleural vai além da simples distinção entre transudato e exsudato, feita pelos Critérios de Light. O aspecto macroscópico (seroso, hemorrágico, purulento, quiloso), a contagem celular com diferencial (predomínio de neutrófilos, linfócitos, eosinófilos), os níveis de proteínas, LDH, glicose, pH, e a pesquisa microbiológica (Gram, cultura, BAAR) são fundamentais. Esses dados permitem direcionar a investigação etiológica para causas infecciosas, neoplásicas, inflamatórias ou outras. A definição de um derrame pleural complicado (pH baixo, glicose baixa, LDH elevado, presença de pus) é crítica, pois indica a necessidade de drenagem torácica, além da antibioticoterapia, para prevenir complicações como o empiema e a fibrose pleural. O prognóstico e o tratamento são diretamente influenciados pela etiologia e pela presença de complicações, tornando a análise detalhada do líquido pleural um pilar na abordagem desses pacientes.
A análise essencial inclui aspecto macroscópico, contagem celular com diferencial, proteínas, LDH, glicose, pH e cultura bacteriana. Esses dados permitem classificar o derrame e direcionar a investigação.
Um derrame pleural é considerado complicado se o pH < 7,20, glicose < 60 mg/dL, LDH > 3x o limite superior sérico, ou se houver pus (empiema). Esses achados indicam necessidade de drenagem.
As principais causas de derrame pleural exsudativo incluem infecções (pneumonia, tuberculose), neoplasias, doenças autoimunes (lúpus, artrite reumatoide), embolia pulmonar e pancreatite.
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