UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
Uma paciente de 46 anos deu entrada no Pronto Socorro com história de cefaleia holocraniana de leve intensidade há duas semanas. Há uma semana, houve intensificação da cefaleia e surgimento de febre baixa diária. Ao exame, a paciente se encontrava febril, sonolenta e com rigidez de nuca leve. A tomografia computadorizada do crânio revelou discreto espessamento meníngeo. Em seguida, a paciente foi submetida à punção liquórica, sendo obtido líquido levemente turvo e xantocrômico, com pressão de abertura de 22 cm de água, 250 células/mm³ (40% neutrófilos, 40% de linfócitos e 20% de monócitos), proteínas de 550 mg/dl e glicose de 10 mg/dl. Assinale a opção que contenha doenças que melhor justificam os achados liquóricos desta paciente.
LCR com pleocitose mista, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia + quadro subagudo → Meningite tuberculosa ou fúngica.
O perfil do LCR com pleocitose mista (neutrófilos e linfomononucleares), hiperproteinorraquia acentuada e hipoglicorraquia grave é altamente sugestivo de meningites subagudas ou crônicas, como as de etiologia tuberculosa ou fúngica, que evoluem de forma mais arrastada que as bacterianas agudas.
A análise do Líquido Cefalorraquidiano (LCR) é fundamental no diagnóstico das meningites, e a interpretação de seus parâmetros permite o direcionamento etiológico. Meningites tuberculosa e fúngica são formas de meningite subaguda ou crônica, que se distinguem das meningites bacterianas agudas e virais pelo seu curso clínico mais arrastado e por achados específicos no LCR. O reconhecimento desses padrões é crucial para o residente, pois o tratamento difere significativamente entre as etiologias. Os achados clássicos do LCR para meningite tuberculosa e fúngica incluem uma pleocitose mista, que pode ter predomínio de neutrófilos nas fases iniciais, mas evolui para linfomononuclear. A hiperproteinorraquia é geralmente acentuada, muitas vezes acima de 100 mg/dL, e a hipoglicorraquia é grave, com níveis de glicose no LCR frequentemente abaixo de 40 mg/dL ou uma relação glicose LCR/sérica inferior a 0,4. A pressão de abertura pode estar elevada e o LCR pode ser turvo ou xantocrômico. Esses parâmetros refletem a inflamação crônica e o consumo de glicose pelos microrganismos. O tratamento da meningite tuberculosa envolve um regime prolongado de múltiplos fármacos antituberculosos, enquanto a meningite fúngica requer antifúngicos específicos, muitas vezes por via intravenosa e por longos períodos. O diagnóstico precoce é vital para iniciar a terapia adequada e prevenir sequelas neurológicas graves. A diferenciação de outras causas de meningite, como viral (glicose normal, proteínas discretamente elevadas) ou bacteriana aguda (neutrofilia maciça, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia mais intensas), é um desafio diagnóstico que exige a correta interpretação do quadro clínico e laboratorial.
O LCR geralmente apresenta pleocitose mista (com predomínio linfomononuclear, mas pode ter neutrófilos no início), hiperproteinorraquia acentuada (>100 mg/dL) e hipoglicorraquia grave (glicose <40 mg/dL ou relação LCR/glicose sérica <0,4).
Na meningite viral, a pleocitose é predominantemente linfocítica, as proteínas são discretamente elevadas e a glicose é geralmente normal. Já nas meningites tuberculosa e fúngica, a hipoglicorraquia é marcante e a hiperproteinorraquia é mais acentuada.
Ambas tendem a apresentar um curso subagudo ou crônico, com sintomas como cefaleia, febre baixa, rigidez de nuca e alterações do estado mental que se desenvolvem ao longo de semanas, diferentemente das meningites bacterianas agudas.
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