UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Em uma discussão com residentes, o preceptor perguntou ao R1 como se apresentava o liquor de uma criança com meningite por meningogo. Ele respondeu: liquor turvo, com aumento de proteína, aumento de leucócitos à custa de neutrófilos e glicose baixa. Ao R2 foi feita a mesma pergunta, porém em relação à meningite viral. O R2 respondeu: aspecto claro, aumento de leucócitos à custa de linfócitos, proteína ligeiramente aumentada e glicose normal. Ao R3 foi perguntado sobre o liquor no caso de meningite por turbeculose. O R3 respondeu: claro, com muitas células (linfócitos), proteína aumentada e glicose aumentada. Em relação às respostas dadas, conclui-se que o:
Bacteriana = Neutrófilos + Glicose ↓; Viral = Linfócitos + Glicose Normal; TB = Linfócitos + Glicose ↓.
A diferenciação das meningites pelo líquor baseia-se no padrão de celularidade (neutrofílica vs. linfocítica) e no consumo de glicose (presente em bactérias e TB, ausente em vírus).
A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é o padrão-ouro para o diagnóstico e diferenciação das meningites. A interpretação deve sempre integrar o aspecto macroscópico, a citologia (contagem total e diferencial de células) e a bioquímica (glicose e proteínas). Na prática clínica, a distinção entre etiologia bacteriana e viral é a mais crítica para o início imediato da antibioticoterapia empírica. A meningite por Neisseria meningitidis (meningococo) exemplifica a resposta inflamatória bacteriana clássica: quimiotaxia de neutrófilos e consumo de glicose pelas bactérias e leucócitos. Já a meningite tuberculosa, causada pelo Mycobacterium tuberculosis, induz uma resposta imune celular crônica (linfocítica), mas, por ser um agente infeccioso que consome substrato, mantém a glicose baixa, o que a diferencia das causas virais. O erro do R3 na questão foi afirmar que a glicose estaria aumentada na tuberculose, quando o correto é a hipoglicorraquia.
Na meningite bacteriana aguda, o líquor é tipicamente turvo ou purulento, com pleocitose acentuada (frequentemente > 1000 células/mm³) com predomínio de polimorfonucleares (neutrófilos). A glicose está significativamente reduzida (hipoglicorraquia) e as proteínas estão elevadas. Já na meningite viral, o aspecto costuma ser límpido, a pleocitose é leve a moderada (geralmente < 500 células/mm³) com predomínio de linfomononucleares, a glicose permanece normal e as proteínas estão normais ou levemente aumentadas.
A meningite tuberculosa apresenta um padrão 'misto' ou subagudo. O líquor é geralmente límpido ou levemente opalescente (pode formar o retículo de Murchison). Há pleocitose moderada com predomínio de linfócitos (embora no início possa haver neutrófilos). A característica marcante que a diferencia da viral é a hipoglicorraquia (glicose baixa) e uma hiperproteinorraquia muito acentuada, muitas vezes superior à observada na meningite bacteriana comum.
A dissociação albuminocitológica ocorre quando há um aumento isolado ou desproporcional das proteínas (albumina) no líquor sem o aumento correspondente da celularidade (leucócitos). Embora não seja o padrão das meningites infecciosas agudas discutidas, é o achado clássico da Síndrome de Guillain-Barré. Nas meningites infecciosas, espera-se que o aumento de proteínas venha acompanhado de pleocitose (aumento de células).
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