Ascite: Diagnóstico Diferencial pela Análise do Líquido

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2023

Enunciado

A análise do líquido ascitico é uma propedêutica importante na investigação da ascite e foi realizada em três pacientes, obtendo-se os resultados abaixo. Qual o diagnóstico mais provável dos pacientes 1, 2 e 3 respectivamente?

Alternativas

  1. A) Insuficiência cardíaca congestiva, cirrose hepática e tuberculose peritoneal.
  2. B) Hipotireoidismo, insuficiência cardíaca congestiva e hipertensão portal esquistosomótica.
  3. C) Cirrose hepática, síndrome nefrótica, ascite pancreática.
  4. D) Cirrose hepática, carcinomatose peritoneal, insuficiência cardíaca congestiva.

Pérola Clínica

GASA > 1,1 g/dL = hipertensão portal (cirrose, ICC); GASA < 1,1 g/dL = outras causas (neoplasia, infecção).

Resumo-Chave

A análise do líquido ascítico, especialmente o Gradiente Albumina Soro-Ascite (GASA) e a concentração de proteínas, é crucial para diferenciar as causas de ascite. GASA alto sugere hipertensão portal (cirrose, ICC), enquanto GASA baixo aponta para causas não relacionadas à hipertensão portal (neoplasias, infecções).

Contexto Educacional

A ascite é o acúmulo patológico de líquido na cavidade peritoneal, sendo a cirrose hepática a causa mais frequente. A paracentese diagnóstica, com análise do líquido ascítico, é um procedimento crucial para determinar a etiologia da ascite e guiar o tratamento. A avaliação do líquido ascítico inclui contagem de células, dosagem de proteínas e, principalmente, o cálculo do Gradiente Albumina Soro-Ascite (GASA). O GASA é o marcador mais importante para diferenciar ascite por hipertensão portal (GASA ≥ 1,1 g/dL), como na cirrose e insuficiência cardíaca, de ascite não relacionada à hipertensão portal (GASA < 1,1 g/dL), como na carcinomatose peritoneal, tuberculose ou ascite pancreática. Além do GASA, a concentração de proteínas no líquido ascítico também é relevante: ascite com GASA alto e proteínas elevadas sugere insuficiência cardíaca, enquanto GASA alto e proteínas baixas sugere cirrose. Para ascite com GASA baixo, a citologia oncótica é fundamental para o diagnóstico de neoplasias, e a pesquisa de infecções é essencial.

Perguntas Frequentes

Como o GASA é utilizado para classificar a ascite?

O GASA (Gradiente Albumina Soro-Ascite) é calculado subtraindo a albumina do líquido ascítico da albumina sérica. Um GASA ≥ 1,1 g/dL indica ascite por hipertensão portal, enquanto um GASA < 1,1 g/dL sugere causas não relacionadas à hipertensão portal.

Quais são as principais causas de ascite com GASA alto?

As principais causas de ascite com GASA alto incluem cirrose hepática (a mais comum), insuficiência cardíaca congestiva, síndrome de Budd-Chiari e ascite por hipertensão portal esquistossomótica.

Quais exames complementares são importantes na investigação da ascite com GASA baixo?

Para ascite com GASA baixo, é fundamental solicitar citologia oncótica, cultura para bactérias e fungos, pesquisa de BAAR e adenosina deaminase (ADA) para investigar carcinomatose peritoneal, peritonite tuberculosa ou outras infecções.

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