Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021
Uma cidade com 300.000 habitantes precisa comprar um teste comprar para determinar o tratamento ou não de uma doença não letal e não transmissível, mas cujo tratamento do doente grave gera custos à rede de saúde. Há, no mercado, dois testes disponíveis: teste A (R$ 10,00 – sensibilidade 90% / especificidade 70% / valor preditivo positivo 75% / valor preditivo negativo 12,5%); e teste B (R$ 10,00 – sensibilidade 70% / especificidade 90% / valor preditivo positivo 87,5% / valor preditivo negativo 25%). O quadro grave custa R$ 25.000,00 à rede de saúde e ocorre em 10% dos casos sintomáticos. O tratamento custa R$ 1.000,00, o NNT para evitar o quadro grave é 10 e o NNH para anafilaxia é 20 e, quando ocorre, tem custo de R$ 10.000,00.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
Análise custo-efetividade em saúde exige dados completos de prevalência e custos de todas as variáveis para ser conclusiva.
Para realizar uma análise de custo-efetividade completa e comparar testes diagnósticos, é fundamental conhecer a prevalência da doença na população. Sem a prevalência, não é possível calcular o número real de verdadeiros positivos, falsos positivos, verdadeiros negativos e falsos negativos, tornando impossível determinar os custos totais associados a cada estratégia.
A análise de custo-efetividade é uma ferramenta fundamental em saúde pública e gestão de sistemas de saúde para comparar diferentes intervenções e decidir qual oferece o melhor resultado para um determinado custo. Para avaliar testes diagnósticos, é essencial considerar não apenas o custo do teste em si, mas também os custos associados aos resultados (tratamento de falsos positivos, não tratamento de falsos negativos, complicações, etc.). Os parâmetros de um teste diagnóstico incluem sensibilidade (capacidade de identificar verdadeiros positivos), especificidade (capacidade de identificar verdadeiros negativos), valor preditivo positivo (VPP, probabilidade de ter a doença se o teste for positivo) e valor preditivo negativo (VPN, probabilidade de não ter a doença se o teste for negativo). No entanto, VPP e VPN são dependentes da prevalência da doença na população testada. A questão fornece dados sobre sensibilidade, especificidade, VPP e VPN, além de custos de tratamento e complicações. Contudo, para calcular o custo total da aplicação dos testes e do tratamento, é imprescindível saber a prevalência da doença na cidade. Sem a prevalência, não é possível determinar quantos pacientes são realmente doentes e quantos não são, o que impede a quantificação dos verdadeiros e falsos positivos/negativos e, consequentemente, a estimativa dos custos totais de cada estratégia. Portanto, a alternativa correta é que não é possível determinar o custo total.
A prevalência é crucial porque afeta diretamente os valores preditivos (VPP e VPN) e permite calcular o número absoluto de verdadeiros e falsos positivos/negativos, que são a base para estimar os custos e benefícios de uma estratégia diagnóstica.
Testes com alta sensibilidade são bons para rastrear e evitar falsos negativos, mas podem gerar muitos falsos positivos. Testes com alta especificidade confirmam a doença e evitam falsos positivos. A escolha depende do objetivo e do equilíbrio entre custos de tratamento e de não tratamento.
NNT (Número Necessário para Tratar) indica quantos pacientes precisam ser tratados para evitar um evento adverso. NNH (Número Necessário para Causar Dano) indica quantos pacientes precisam ser expostos para causar um evento adverso. Ambos são essenciais para quantificar os benefícios e riscos do tratamento e seus custos associados.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo