AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024
Paciente de 50 anos foi submetido a herniorrafia inguinal unilateral convencional por encarceramento agudo. O procedimento deu-se sem intercorrência e sob raquianestesia. De comorbidade prévia, relata ter hipertensão arterial em uso de losartana. Em relação aos métodos de analgesia no pós-operatório para este paciente, assinale a assertiva correta.
Tramadol é opioide fraco, eficaz PO/IV, mas com efeitos colaterais comuns de opioides (náusea, sedação, depressão respiratória).
O tramadol é um analgésico opioide fraco com mecanismo de ação duplo (agonista μ-opioide e inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina), útil para dor moderada a grave. Pode ser administrado por via oral ou endovenosa, mas, como outros opioides, apresenta efeitos colaterais como náuseas, prurido, sedação e, em doses elevadas, depressão respiratória.
A analgesia pós-operatória é um componente essencial do cuidado perioperatório, visando não apenas o conforto do paciente, mas também a recuperação mais rápida e a prevenção de complicações. O manejo da dor aguda pós-cirúrgica deve ser individualizado, considerando o tipo de cirurgia, a intensidade da dor esperada, as comorbidades do paciente e os medicamentos em uso. A dor pós-operatória não controlada pode levar a complicações pulmonares, cardiovasculares, gastrointestinais e retardo na mobilização. A fisiopatologia da dor pós-operatória envolve a ativação de nociceptores e a liberação de mediadores inflamatórios no local da incisão cirúrgica. O tratamento ideal geralmente envolve uma abordagem multimodal, combinando diferentes classes de analgésicos com mecanismos de ação complementares, como opioides, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e paracetamol. O tramadol é um opioide atípico que atua tanto como agonista fraco dos receptores μ-opioides quanto como inibidor da recaptação de noradrenalina e serotonina, contribuindo para seu efeito analgésico. É uma opção versátil, disponível por via oral e endovenosa, sendo útil para dor moderada a grave. No entanto, como todos os opioides, o tramadol pode causar efeitos colaterais como náuseas, vômitos, tontura, sedação, prurido, constipação e, em doses elevadas, depressão respiratória. É importante evitar a associação de dois AINEs devido ao aumento do risco de eventos adversos sem benefício adicional. A escolha da via de administração também é crucial, com preferência por vias oral ou endovenosa controlada pelo paciente (PCA) em detrimento da via intramuscular, que apresenta absorção errática e é dolorosa.
Para dor moderada a grave, as opções incluem opioides (como morfina, tramadol, fentanil), AINEs (se não contraindicados), paracetamol e técnicas de analgesia regional. A combinação de diferentes classes de analgésicos (analgesia multimodal) é frequentemente utilizada para otimizar o controle da dor e minimizar os efeitos colaterais.
A via intramuscular (IM) não é a mais apropriada devido à absorção errática e imprevisível, o que pode levar a picos e vales de concentração plasmática, resultando em analgesia inadequada ou efeitos colaterais. Além disso, as injeções IM são dolorosas e podem causar lesão tecidual.
A associação de dois AINEs aumenta significativamente o risco de efeitos colaterais gastrointestinais (úlceras, sangramentos), renais (insuficiência renal aguda) e cardiovasculares (eventos trombóticos), sem um benefício analgésico adicional comprovado em comparação com o uso de um único AINE.
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