Analgesia Pós-Operatória: Uso de AINEs e Riscos

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 65 anos foi submetido a laparotomia por apendicite aguda com peritonite difusa. O procedimento se deu sem intercorrência e sob anestesia geral. De comorbidade prévia relatava ter hipertensão arterial, em uso de losartana e hidroclorotiazida. Em relação aos métodos de analgesia no pós-operatório para este paciente, assinale a assertiva correta:

Alternativas

  1. A) O melhor método para analgesia deste paciente é o uso do fentanil transdérmico devido a biodisponibilidade e ao custo.
  2. B) A meperidina é o opioide de eleição para este paciente, com boa capacidade de analgesia, custo baixo e baixa taxa de adição e dependência química.
  3. C) Os anti-inflamatórios não esteroidais podem ser utilizados na analgesia perioperatória, porém seus efeitos colaterais, como ulceração gástrica, sangramento e lesão renal, restringem o seu uso nestes pacientes cirúrgicos.
  4. D) A associação de dois anti-inflamatórios não esteroidais pode ser realizado para este paciente, quando não houver resposta adequada ao uso isolado do medicamento, sem aumento do risco de ocorrências dos efeitos colaterais descritos.
  5. E) Pode ser utilizado anti-inflamatórios hormonais para este paciente, sendo a preferência pelo uso de hidrocortisona 500 mg endovenosa duas vezes ao dia, com boa resposta analgésica, baixo custo e baixo índice de efeitos colaterais.

Pérola Clínica

AINEs no pós-operatório: eficazes na analgesia multimodal, mas limitados por riscos renal, gástrico e de sangramento.

Resumo-Chave

A analgesia multimodal é o padrão-ouro pós-operatório, mas o uso de AINEs deve ser criterioso em pacientes cirúrgicos devido ao risco de lesão renal aguda, sangramento e complicações gastrointestinais.

Contexto Educacional

O manejo da dor pós-operatória em pacientes submetidos a laparotomias por peritonite exige uma abordagem multimodal para otimizar a recuperação. Embora os AINEs sejam componentes valiosos por seu efeito poupador de opioides, sua aplicação é restrita em pacientes com risco de hipovolemia ou disfunção renal. Opioides como a meperidina devem ser evitados devido ao seu metabólito (normeperidina), que possui neurotoxicidade e pode causar convulsões, especialmente em idosos. A escolha do regime analgésico deve ser individualizada, priorizando fármacos com melhor perfil de segurança como a dipirona e o paracetamol, reservando opioides potentes para resgate e evitando a combinação de múltiplos AINEs pelo risco de toxicidade sem ganho analgésico adicional.

Perguntas Frequentes

Quais os principais riscos dos AINEs no paciente cirúrgico?

Os principais riscos incluem a inibição das prostaglandinas renais, o que pode levar à vasoconstrição da arteríola aferente e lesão renal aguda, especialmente em pacientes hipovolêmicos. Além disso, inibem a agregação plaquetária (risco de sangramento) e reduzem a proteção da mucosa gástrica.

Por que não usar fentanil transdérmico na dor aguda?

O fentanil transdérmico demora de 12 a 24 horas para atingir níveis séricos terapêuticos e possui uma meia-vida longa após a retirada do adesivo. É indicado apenas para dor crônica estável em pacientes já tolerantes a opioides, sendo inadequado e perigoso para o manejo da dor aguda.

Qual a vantagem da analgesia multimodal?

A associação de diferentes classes de analgésicos (ex: dipirona, AINEs, opioides, bloqueios regionais) permite atingir melhor controle da dor através de sinergismo, utilizando doses menores de cada fármaco e reduzindo drasticamente os efeitos colaterais, como náuseas, vômitos e íleo paralítico.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo