SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022
Em acompanhamento de trabalho de parto a termo, uma parturiente encontra-se com três contrações uterinas a cada 10 minutos. A vitalidade fetal está boa e a dilatação cervical é de 5cm. Após algum tempo, constata-se colo completamente dilatado, bolsa rota, 5 contrações uterinas a cada 10 minutos, batimentos cardiofetais em 80bpm. A apresentação fetal encontra-se em –3, variedade de posição Occipto púbica.Considerando que o parto será vaginal, indique em que momento deve-se realizar a analgesia regional.
Analgesia de parto → Realizada quando a parturiente solicitar, independente da dilatação cervical.
A dor no parto é subjetiva; diretrizes modernas estabelecem que a solicitação materna é indicação suficiente para analgesia, sem necessidade de marcos de dilatação.
O manejo da dor no trabalho de parto evoluiu de uma abordagem baseada em marcos anatômicos para uma centrada na paciente. Historicamente, temia-se que a analgesia precoce aumentasse o risco de cesariana, mas estudos randomizados refutaram essa hipótese. Atualmente, a analgesia regional (peridural ou combinada) é o padrão-ouro para alívio da dor, devendo ser iniciada assim que solicitada, desde que o trabalho de parto esteja estabelecido ou a paciente esteja em sofrimento. O papel do médico é informar sobre riscos e benefícios, respeitando a autonomia da mulher e garantindo uma experiência de parto humanizada e segura.
Não. De acordo com as principais sociedades de obstetrícia e anestesiologia (como ACOG e ASA), a analgesia deve ser administrada quando a paciente solicitar, independentemente do grau de dilatação cervical. O conceito de esperar a fase ativa (4-6 cm) para evitar cesarianas foi refutado por evidências científicas robustas que demonstram que a analgesia precoce não aumenta a taxa de partos cirúrgicos.
A analgesia regional, especialmente a peridural, pode estar associada a um prolongamento discreto do segundo estágio do parto (período expulsivo). No entanto, esse prolongamento não tem repercussões clínicas negativas significativas no desfecho neonatal e não é motivo para retardar o alívio da dor quando solicitado pela mãe.
As contraindicações incluem recusa da paciente, infecção ativa no local da punção, coagulopatias graves ou trombocitopenia acentuada, e hipovolemia materna não corrigida. Na ausência dessas condições, a segurança do procedimento é elevada tanto para a mãe quanto para o feto.
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