UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Diante de um recém-nascido com 25 semanas e peso de nascimento de 700g, com 10 dias de vida, no primeiro pós-operatório de uma cirurgia para ressecção intestinal por enterocolite necrosante, qual é o medicamento mais indicado para o tratamento da dor?
Pós-op de grande porte em prematuro (RNBP) → Opioide (Fentanil) é o padrão-ouro para analgesia potente.
O fentanil é o analgésico de escolha no pós-operatório de grandes cirurgias neonatais devido à sua potência, estabilidade hemodinâmica relativa e eficácia em dor aguda intensa.
O manejo da dor no recém-nascido de extremo baixo peso (RNEBP) é um desafio crítico na UTI Neonatal. Evidências mostram que estímulos dolorosos repetidos e não tratados no período neonatal têm efeitos deletérios a longo prazo no desenvolvimento cerebral e na sensibilidade à dor. A enterocolite necrosante (NEC) com necessidade de ressecção intestinal é uma das condições mais dolorosas e estressantes. O fentanil, um opioide sintético, é amplamente utilizado nessas situações por sua alta potência lipofílica. A dosagem deve ser cuidadosamente titulada, preferencialmente em infusão contínua no pós-operatório, para manter níveis estáveis de analgesia. O monitoramento através de escalas validadas (como a NIPS ou PIPP) é essencial para garantir que o tratamento seja adequado.
O fentanil é frequentemente preferido em neonatos criticamente enfermos, especialmente após cirurgias abdominais como na enterocolite necrosante, porque causa menos liberação de histamina do que a morfina. Isso resulta em maior estabilidade hemodinâmica, com menor risco de hipotensão. Além disso, sua potência permite um controle eficaz da dor intensa com início de ação rápido.
Os principais riscos incluem depressão respiratória (exigindo ventilação mecânica), rigidez de parede torácica (se administrado muito rapidamente em bolus) e redução da motilidade gastrointestinal (íleo paralítico). Em uso prolongado, pode haver tolerância e síndrome de abstinência. No entanto, no pós-operatório imediato de cirurgia de grande porte, o benefício da analgesia supera amplamente esses riscos.
Não. O midazolam é um benzodiazepín um benzodiazepínico com propriedades sedativas e amnésicas, mas não possui efeito analgésico. Usá-lo isoladamente em um paciente com dor pode 'mascarar' as respostas comportamentais à dor enquanto o paciente continua sofrendo o estresse fisiológico do estímulo doloroso, o que é prejudicial ao neurodesenvolvimento.
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