Analgesia Multimodal em Cirurgia Colorretal Complexa

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024

Enunciado

Considere um paciente portador de um tumor de cólon esquerdo em ângulo esplênico que parece invadir baço e cauda de pâncreas. A provável cirurgia será uma hemicolectomia esquerda com anastomose primária e pancreatectomia caudal com esplenectomia. Dentre as opções abaixo, qual aquela que seria menos aconselhável para ajudar na analgesia?

Alternativas

  1. A) Paracetamol + dexametasona intravenosos (IV) no início da cirurgia.
  2. B) NAIDS, tipo cetoprofeno, um frasco-ampola IV no início e repicar no final da cirurgia.
  3. C) Infusão de xilocaina (numa dose de 1,5 a 3 mg/Kg/h) durante a cirurgia com um bolus inicial.
  4. D) Sulfato de magnésio, no início da cirurgia, numa dose de ataque de 50 mg/kg e 15mg/kg/h de manutenção.
  5. E) Quetamina dada durante a cirurgia e mantida nas primeiras 48 horas de pósoperatório.

Pérola Clínica

AINEs devem ser evitados em grandes cirurgias abdominais com risco de deiscência ou lesão renal → Prefira multimodal.

Resumo-Chave

A analgesia multimodal (Lidocaína, Magnésio, Quetamina) reduz o consumo de opioides. AINEs como o cetoprofeno são evitados em cirurgias de grande porte pelo risco de sangramento e disfunção renal.

Contexto Educacional

A analgesia moderna em cirurgia de grande porte baseia-se no conceito de analgesia multimodal, que visa atacar diferentes vias da dor para minimizar os efeitos colaterais dos opioides. O uso de adjuvantes como sulfato de magnésio, lidocaína e quetamina é amplamente suportado por evidências para melhorar o desfecho clínico. Em contraste, o uso de AINEs no intraoperatório de cirurgias com risco de sangramento ou instabilidade hemodinâmica deve ser criteriosamente avaliado.

Perguntas Frequentes

Por que evitar AINEs em cirurgias de grande porte?

O uso de Anti-inflamatórios Não Esteroidais (AINEs) como o cetoprofeno em cirurgias abdominais complexas é frequentemente desencorajado devido ao risco aumentado de complicações renais, especialmente em pacientes com potencial hipovolemia perioperatória, e ao risco teórico de interferência na cicatrização de anastomoses intestinais. Além disso, podem aumentar o risco de sangramento gastrointestinal e inibir a agregação plaquetária, o que é crítico em procedimentos que envolvem ressecções multiorgânicas como a esplenectomia e pancreatectomia caudal.

Qual o papel da lidocaína venosa na analgesia multimodal?

A infusão contínua de lidocaína intravenosa (1,5 a 3 mg/kg/h) atua como um potente adjuvante na analgesia multimodal, especialmente em cirurgias abdominais. Ela possui propriedades anti-inflamatórias e analgésicas que ajudam na redução do íleo paralítico pós-operatório, diminuem o consumo de opioides e aceleram a recuperação funcional do paciente, sendo um pilar fundamental dos protocolos ERAS (Enhanced Recovery After Surgery).

Como a quetamina auxilia no controle da dor pós-operatória?

A quetamina em doses subanestésicas atua como um antagonista dos receptores NMDA, prevenindo a sensibilização central e a hiperalgesia induzida por opioides. Seu uso perioperatório, mantido por até 48 horas, é eficaz em reduzir a intensidade da dor e a necessidade de resgate com morfina, sendo particularmente útil em pacientes submetidos a procedimentos altamente dolorosos ou com tolerância prévia a opioides.

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