AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024
Paciente de 45 anos foi submetida à histerectomia total por miomatose. No pós-operatório imediato, o médico residente prescreveu para a analgesia quetamina, cetorolaco, ibuprofeno e 1 mg de morfina intravenosa até de 3/3 horas em caso de dor forte. Após algumas horas, a paciente começou a ter alucinações na sala de recuperação. Para corrigir essa prescrição, o médico deve:I. Suspender ou reduzir a dose de quetamina, provável causa das alucinações.II. Escolher apenas uma das drogas anti-inflamatórias, pois há sobreposição de cetorolaco e ibuprofeno.III. Acrescentar gabapentina para reduzir a necessidade de opioides. Quais estão corretas?
Analgesia pós-operatória: evitar polifarmácia desnecessária (AINEs), monitorar efeitos adversos (quetamina), considerar adjuvantes (gabapentina).
A analgesia pós-operatória eficaz e segura requer uma abordagem multimodal, evitando a combinação de medicamentos com mecanismos de ação sobrepostos e efeitos adversos aditivos, como dois AINEs. A quetamina, embora útil, pode causar efeitos psicotomiméticos, e adjuvantes como a gabapentina podem reduzir a necessidade de opioides.
A analgesia pós-operatória adequada é um pilar fundamental no cuidado ao paciente, visando não apenas o conforto, mas também a recuperação mais rápida e a prevenção de complicações. A abordagem multimodal, que combina diferentes classes de analgésicos com mecanismos de ação complementares, é a estratégia mais eficaz e segura, permitindo o uso de doses menores de cada fármaco e minimizando efeitos adversos. No caso apresentado, a prescrição inicial continha erros comuns. A quetamina, um antagonista de NMDA, é valiosa para analgesia, mas seus efeitos psicotomiméticos (alucinações, sonhos vívidos) são bem conhecidos e dose-dependentes, exigindo ajuste ou suspensão. A combinação de dois AINEs (cetorolaco e ibuprofeno) é redundante e aumenta o risco de toxicidade (gastrointestinal, renal) sem benefício analgésico adicional, sendo recomendado escolher apenas um. A correção da prescrição envolve a suspensão ou redução da quetamina, a escolha de um único AINE e a adição de um adjuvante como a gabapentina. A gabapentina, um modulador de canais de cálcio, é eficaz na redução da dor e da necessidade de opioides, melhorando o perfil de segurança da analgesia. A otimização da analgesia pós-operatória exige conhecimento farmacológico e atenção aos efeitos adversos e interações medicamentosas.
A quetamina é um anestésico dissociativo que, em doses analgésicas, pode causar efeitos psicotomiméticos como alucinações, sonhos vívidos e delírio, especialmente em pacientes mais velhos ou em doses elevadas. Esses efeitos são mediados pela sua ação nos receptores NMDA.
Cetorolaco e ibuprofeno são ambos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) com mecanismos de ação semelhantes. A combinação não oferece benefício analgésico adicional significativo e aumenta o risco de efeitos adversos gastrointestinais (úlceras, sangramentos), renais (insuficiência renal) e cardiovasculares.
A gabapentina é um anticonvulsivante com propriedades analgésicas, especialmente para dor neuropática, mas também útil na dor nociceptiva. Ela atua como um adjuvante na analgesia multimodal, ajudando a reduzir a necessidade de opioides e, consequentemente, seus efeitos adversos, como náuseas, vômitos e sedação.
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