Anafilaxia Pediátrica: Manejo de Urgência e Adrenalina

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022

Enunciado

Menino de 9 anos de idade foi levado a atendimento de urgência após início súbito de placas urticariformes pelo corpo associadas a edema periorbital. Ao exame físico, Glasgow 15, frequência cardíaca 98 bpm, frequência respiratória 30 irpm, ausculta pulmonar com sibilos difusos e estridor leve. Pulsos periféricos e centrais amplos e simétricos, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, pressão arterial no percentil 50 para idade. Mãe relata que a criança estava em uma festa de aniversário e havia comido doce de amendoim minutos antes dos sintomas. Com base no caso exposto, a conduta imediata correta é

Alternativas

  1. A) adrenalina 0,01 mg/Kg via intramuscular e beta2 agonista inalatório.
  2. B) expansão volêmica com soro fisiológico 20 ml/kg em 30 minutos.
  3. C) anti-histamínico de primeira geração associado à hidrocortisona endovenosa.
  4. D) beta2 agonista inalatório 4 jatos a cada 20 minutos e prednisona 1 mg/kg via oral.
  5. E) dexametasona 0,6 mg/kg em dose única e beta2 agonista inalatório dose de ataque. 

Pérola Clínica

Anafilaxia = adrenalina IM imediata (0,01 mg/kg, máx 0,5 mg) + suporte respiratório.

Resumo-Chave

O caso descreve uma reação anafilática grave, caracterizada por envolvimento cutâneo (urticária, edema), respiratório (sibilos, estridor) e exposição a alérgeno conhecido (amendoim). A adrenalina intramuscular é a primeira e mais importante medida, devendo ser administrada imediatamente, mesmo com pressão arterial normal, para prevenir a progressão para choque. Beta2 agonistas são adjuvantes para broncoespasmo.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que pode ocorrer após exposição a alérgenos como alimentos, medicamentos ou picadas de insetos. Em crianças, a alergia alimentar, especialmente a amendoim, é uma causa comum. O reconhecimento precoce dos sintomas, que podem incluir urticária, angioedema, broncoespasmo, hipotensão e sintomas gastrointestinais, é crucial para um desfecho favorável. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios por mastócitos e basófilos, levando a vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular, broncoconstrição e espasmo da musculatura lisa. O diagnóstico é clínico, baseado na apresentação súbita e no envolvimento de múltiplos sistemas. A presença de sibilos e estridor, mesmo com PA normal, indica gravidade e risco de comprometimento das vias aéreas. A conduta imediata e mais importante é a administração de adrenalina intramuscular (0,01 mg/kg, máximo 0,5 mg) na face anterolateral da coxa. A adrenalina é o único medicamento que reverte a progressão da anafilaxia. Medidas adjuvantes incluem oxigênio, beta2 agonistas inalatórios para broncoespasmo, fluidos intravenosos para hipotensão e, em casos selecionados, anti-histamínicos e corticosteroides, que não substituem a adrenalina.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para anafilaxia em crianças?

Anafilaxia é diagnosticada pela presença de envolvimento de dois ou mais sistemas (pele, respiratório, cardiovascular, gastrointestinal) após exposição a um alérgeno, ou hipotensão após exposição a alérgeno conhecido.

Qual a dose e via de administração da adrenalina na anafilaxia pediátrica?

A dose de adrenalina é de 0,01 mg/kg (1:1000) via intramuscular, na face anterolateral da coxa, com dose máxima de 0,5 mg por aplicação, podendo ser repetida a cada 5-15 minutos se necessário.

Por que a adrenalina é o tratamento de primeira linha para anafilaxia?

A adrenalina é um alfa e beta agonista que atua rapidamente revertendo a vasodilatação e o broncoespasmo, aumentando a pressão arterial, diminuindo o edema e inibindo a liberação de mediadores inflamatórios.

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