IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025
Um paciente de 35 anos apresenta uma reação alérgica após ser picado por uma abelha, manifestando urticária e dificuldade respiratória. Considerando os aspectos clínicos e o manejo da alergia a picadas de abelha, alternativa correta:
Anafilaxia → Adrenalina IM (vasto lateral) imediata = Única droga que reduz mortalidade.
A anafilaxia é uma emergência médica multissistêmica. O tratamento de primeira linha é a epinefrina intramuscular, que deve ser administrada precocemente para reverter o broncoespasmo, edema de glote e colapso circulatório.
A anafilaxia por picada de himenópteros (abelhas, vespas e formigas) é uma das causas mais comuns de reações alérgicas graves mediadas por IgE. A fisiopatologia envolve a liberação massiva de mediadores inflamatórios, como histamina e triptase, que causam vasodilatação sistêmica, aumento da permeabilidade vascular e broncoconstrição. O manejo imediato exige o reconhecimento dos sinais de gravidade (estridor, sibilância, hipotensão, síncope). Além da adrenalina, o paciente deve ser colocado em posição supina com membros inferiores elevados (se não houver desconforto respiratório grave) para otimizar o retorno venoso. O monitoramento deve ser mantido por pelo menos 4 a 6 horas devido ao risco de reações bifásicas, que ocorrem em até 20% dos casos.
A via preferencial é a intramuscular (IM) no vasto lateral da coxa, devido à absorção mais rápida e segura em comparação à via subcutânea. A dose padrão para adultos é de 0,3 a 0,5 mg (ampola de 1mg/mL, usar 0,3 a 0,5 mL) sem diluição. Em crianças, a dose é de 0,01 mg/kg, até o máximo de 0,3 mg. A aplicação pode ser repetida a cada 5-15 minutos se não houver melhora clínica satisfatória.
Os anti-histamínicos (H1 e H2) atuam apenas nos sintomas cutâneos, como urticária e prurido. Eles não possuem efeito sobre a desgranulação de mastócitos, não revertem o edema de vias aéreas superiores, não tratam o broncoespasmo e não revertem a hipotensão. Portanto, embora úteis como adjuvantes para o conforto do paciente, nunca devem substituir ou atrasar a administração da epinefrina.
O diagnóstico é clínico e baseia-se em três cenários: 1. Início agudo de sintomas cutâneos/mucosos associados a comprometimento respiratório ou queda da pressão arterial; 2. Dois ou mais sintomas que ocorrem rapidamente após exposição a provável alérgeno (pele, respiratório, circulatório ou gastrointestinal); 3. Queda da pressão arterial isolada após exposição a alérgeno conhecido para aquele paciente.
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