UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2022
Uma criança de 7 anos estava em uma festa de aniversário quando apresentou, subitamente, lesões de urticária disseminada, edema de lábios e língua, associados a dor abdominal e vários episódios de vômitos, após ingestão de empada de camarão. Qual seria a hipótese diagnóstica e melhor conduta?
Anafilaxia (urticária + angioedema + sintomas GI/respiratórios) → Adrenalina IM IMEDIATA, hospitalização e observação prolongada.
O quadro clínico da criança (urticária disseminada, angioedema de lábios e língua, sintomas gastrointestinais como dor abdominal e vômitos, após ingestão de camarão) é altamente sugestivo de anafilaxia. A conduta primordial e imediata é a administração de adrenalina intramuscular, seguida de hospitalização para monitorização e tratamento de suporte, devido ao risco de reações bifásicas.
A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que ocorre após a exposição a um alérgeno. Em crianças, a alergia alimentar é a causa mais comum, sendo o camarão um alérgeno potente. O quadro clínico típico envolve o acometimento de múltiplos sistemas: pele (urticária, angioedema), respiratório (dispneia, broncoespasmo), gastrointestinal (dor abdominal, vômitos, diarreia) e cardiovascular (hipotensão, taquicardia). A presença de urticária disseminada, edema de lábios e língua, e sintomas gastrointestinais após a ingestão de um alimento conhecido como alérgeno, como o camarão, configura um diagnóstico claro de anafilaxia. A fisiopatologia da anafilaxia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios (histamina, triptase, leucotrienos, prostaglandinas) por mastócitos e basófilos, geralmente mediada por IgE. Esses mediadores causam vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular, broncoconstrição e contração da musculatura lisa gastrointestinal, levando aos sintomas característicos. O reconhecimento rápido e a intervenção imediata são vitais para prevenir a progressão para choque anafilático e óbito. A conduta de emergência para anafilaxia é a administração imediata de adrenalina por via intramuscular na face anterolateral da coxa. A adrenalina atua como agonista alfa e beta-adrenérgico, revertendo a vasodilatação, o broncoespasmo e o edema. Após a adrenalina, o paciente deve ser hospitalizado para monitorização e tratamento de suporte com fluidos intravenosos, anti-histamínicos e corticosteroides, se necessário. A observação prolongada (mínimo de 6-12 horas) é fundamental devido ao risco de reações bifásicas, que podem ocorrer em até 20% dos casos e são imprevisíveis.
Anafilaxia é diagnosticada pela presença de dois ou mais sistemas orgânicos envolvidos (pele/mucosas, respiratório, cardiovascular, gastrointestinal) após exposição a um alérgeno conhecido ou provável, ou por hipotensão isolada após exposição a alérgeno conhecido.
A dose recomendada de adrenalina é de 0,01 mg/kg (máximo de 0,5 mg) por via intramuscular na face anterolateral da coxa. A repetição da dose pode ser necessária a cada 5-15 minutos se os sintomas persistirem.
A observação hospitalar por 6 a 12 horas (ou mais, dependendo da gravidade) é crucial devido ao risco de reações bifásicas, que são a recorrência dos sintomas após uma melhora inicial, sem nova exposição ao alérgeno.
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