AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024
Em relação a reações alérgicas e anafilaxia transoperatória, assinale a alternativa INCORRETA.
Anafilaxia transoperatória → Adrenalina imediata (IM/EV); corticoides são terapia de 2ª linha.
O manejo inicial da anafilaxia foca na estabilização hemodinâmica com epinefrina. Corticosteroides e anti-histamínicos não tratam a fase aguda, servindo apenas para prevenir reações bifásicas.
A anafilaxia perioperatória é uma emergência médica grave mediada por IgE ou por mecanismos não imunológicos. No ambiente cirúrgico, o diagnóstico é desafiador pois o paciente está coberto por campos e sob efeito de anestésicos que mascaram sintomas cutâneos iniciais. Os sinais cardinais costumam ser colapso circulatório súbito e aumento da pressão de via aérea. A fisiopatologia envolve a degranulação de mastócitos e basófilos, liberando histamina, triptase e leucotrienos. O tratamento deve ser imediato com interrupção do agente suspeito, expansão volêmica agressiva e doses tituladas de epinefrina. A dosagem de triptase sérica colhida precocemente auxilia na confirmação diagnóstica retrospectiva.
A adrenalina (epinefrina) é o tratamento de primeira linha. Ela deve ser administrada imediatamente via intravenosa (em ambiente monitorado) ou intramuscular para reverter a hipotensão, o broncoespasmo e o edema de glote. Os corticosteroides e anti-histamínicos são adjuvantes e não substituem a adrenalina na fase aguda, servindo principalmente para reduzir o risco de reações tardias ou bifásicas.
Os relaxantes musculares (bloqueadores neuromusculares) são os agentes mais comuns, responsáveis por grande parte das reações mediadas por IgE, seguidos pelo látex e antibióticos (especialmente beta-lactâmicos). Menos frequentemente, indutores anestésicos, coloides e opioides podem estar envolvidos na gênese de reações alérgicas ou anafilactoides.
A incidência estimada varia entre 1:4.000 a 1:20.000 procedimentos cirúrgicos. Quando ocorre, apresenta um risco significativo de morbimortalidade, com taxas de mortalidade situadas entre 3% e 6%, o que exige reconhecimento imediato dos sinais clínicos (hipotensão súbita, broncoespasmo) pela equipe de anestesia.
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