Anafilaxia Transoperatória: Manejo e Diagnóstico

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024

Enunciado

Em relação a reações alérgicas e anafilaxia transoperatória, assinale a alternativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) Ocorre em aproximadamente 1 a cada 4.500 procedimento cirúrgicos.
  2. B) O tratamento inicial se dá pelo uso de corticosteroides.
  3. C) Quando ocorrem, apresentam um risco de aumento de mortalidade entre 3 e 6%.
  4. D) Agentes como indutores anestésicos, relaxantes musculares, látex e narcóticos podem induzir a reações alérgicas de níveis variados.

Pérola Clínica

Anafilaxia transoperatória → Adrenalina imediata (IM/EV); corticoides são terapia de 2ª linha.

Resumo-Chave

O manejo inicial da anafilaxia foca na estabilização hemodinâmica com epinefrina. Corticosteroides e anti-histamínicos não tratam a fase aguda, servindo apenas para prevenir reações bifásicas.

Contexto Educacional

A anafilaxia perioperatória é uma emergência médica grave mediada por IgE ou por mecanismos não imunológicos. No ambiente cirúrgico, o diagnóstico é desafiador pois o paciente está coberto por campos e sob efeito de anestésicos que mascaram sintomas cutâneos iniciais. Os sinais cardinais costumam ser colapso circulatório súbito e aumento da pressão de via aérea. A fisiopatologia envolve a degranulação de mastócitos e basófilos, liberando histamina, triptase e leucotrienos. O tratamento deve ser imediato com interrupção do agente suspeito, expansão volêmica agressiva e doses tituladas de epinefrina. A dosagem de triptase sérica colhida precocemente auxilia na confirmação diagnóstica retrospectiva.

Perguntas Frequentes

Qual a droga de primeira escolha na anafilaxia transoperatória?

A adrenalina (epinefrina) é o tratamento de primeira linha. Ela deve ser administrada imediatamente via intravenosa (em ambiente monitorado) ou intramuscular para reverter a hipotensão, o broncoespasmo e o edema de glote. Os corticosteroides e anti-histamínicos são adjuvantes e não substituem a adrenalina na fase aguda, servindo principalmente para reduzir o risco de reações tardias ou bifásicas.

Quais são os principais gatilhos de alergia no centro cirúrgico?

Os relaxantes musculares (bloqueadores neuromusculares) são os agentes mais comuns, responsáveis por grande parte das reações mediadas por IgE, seguidos pelo látex e antibióticos (especialmente beta-lactâmicos). Menos frequentemente, indutores anestésicos, coloides e opioides podem estar envolvidos na gênese de reações alérgicas ou anafilactoides.

Qual a incidência e mortalidade da anafilaxia perioperatória?

A incidência estimada varia entre 1:4.000 a 1:20.000 procedimentos cirúrgicos. Quando ocorre, apresenta um risco significativo de morbimortalidade, com taxas de mortalidade situadas entre 3% e 6%, o que exige reconhecimento imediato dos sinais clínicos (hipotensão súbita, broncoespasmo) pela equipe de anestesia.

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