Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Rafael, 5 anos, 23 kg, é levado pelo pai ao pronto-socorro após picada de abelha. O pai refere que a criança iniciou edema na face, manchas vermelhas pelo corpo, queixa de falta de ar e respiração ruidosa. Ao exame físico apresentava angioedema em face e manchas urticariformes por todo o corpo. FC: 150 bpm. FR: 45 ipm. SatO2 86% em ar ambiente. PA: 70/40 (60) mmHg. AR. MV reduzido globalmente com estridor inspiratório audível sem estetoscópio e retração de fúrcula grave. Considerando administrada a medicação da questão anterior, assinale a alternativa que apresenta quais outras medidas iniciais devem ser tomadas visando a estabilização desse paciente.
Anafilaxia com hipotensão → Adrenalina IM + Posição supina (pernas ↑) + O2 + Cristalóide 20ml/kg.
Após a adrenalina IM, a estabilização hemodinâmica requer posicionamento adequado para evitar a 'síndrome do ventrículo vazio' e expansão volêmica agressiva para tratar a redistribuição de fluidos.
A anafilaxia é uma emergência médica multissistêmica de início rápido. Na pediatria, as causas comuns incluem alimentos e picadas de insetos. O diagnóstico é clínico, baseado no envolvimento de dois ou mais sistemas (pele/mucosa, respiratório, circulatório, gastrointestinal) após exposição a um alérgeno provável. O caso clínico descreve um quadro grave com comprometimento respiratório (estridor, hipóxia) e circulatório (hipotensão, taquicardia), configurando choque anafilático. O manejo imediato foca na manutenção da via aérea, ventilação e circulação. A adrenalina intramuscular no vasto lateral é o passo mais importante. Simultaneamente, deve-se garantir acesso venoso para infusão de fluidos (20 ml/kg) e fornecer oxigênio suplementar. O estridor indica edema de laringe, uma ameaça iminente à via aérea que pode exigir intubação por profissional experiente se não houver resposta rápida às medidas iniciais. O monitoramento contínuo é essencial devido ao risco de reações bifásicas.
O posicionamento em decúbito dorsal com a elevação dos membros inferiores é crítico na anafilaxia. Durante o choque anafilático, ocorre uma vasodilatação sistêmica maciça e aumento da permeabilidade vascular, levando a uma redução drástica do retorno venoso. Manter o paciente em pé ou sentado pode precipitar a 'síndrome do ventrículo vazio' e parada cardiorrespiratória súbita. A elevação das pernas ajuda a redistribuir o volume sanguíneo para os órgãos vitais e melhora o débito cardíaco enquanto as outras medidas de suporte são instituídas.
Pacientes com anafilaxia que apresentam sinais de choque (hipotensão, taquicardia grave, tempo de enchimento capilar prolongado) devem receber expansão volêmica imediata com cristaloides isotônicos, como o Soro Fisiológico 0,9%. A dose recomendada é de 20 ml/kg, administrada rapidamente (em bolus). Devido ao extravasamento de fluido para o espaço extravascular (terceiro espaço) causado pelos mediadores inflamatórios, volumes significativos podem ser necessários para restaurar a volemia efetiva e a pressão arterial.
Absolutamente não. A adrenalina é a única droga de primeira linha que reverte os sintomas fatais da anafilaxia, agindo nos receptores alfa-1 (vasoconstrição), beta-1 (inotropismo) e beta-2 (broncodilatação e estabilização de mastócitos). Corticoides e anti-histamínicos são medicações de segunda linha; eles ajudam a prevenir reações bifásicas e controlar sintomas cutâneos, mas têm início de ação lento e não tratam a obstrução de vias aéreas ou o colapso circulatório.
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