Anafilaxia Pediátrica: Manejo Imediato e Epinefrina

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024

Enunciado

Menino de 6 anos de idade é levado ao pronto-socorro após consumir um pedaço de bolo de amendoim durante uma festa de aniversário. Ele apresenta-se com náuseas, vômitos, dor abdominal intensa e urticária generalizada. A mãe relata que o menino nunca teve qualquer alergia alimentar anteriormente. Não há história de asma na família. Ao exame físico, apresenta FC 130 bpm, PA 80x50mmHg, FR 30 irpm, temperatura axilar de 37,2°C e saturação periférica de oxigênio de 98% em ar ambiente. O paciente está agitado, inquieto e com urticária disseminada pelo corpo. O abdômen está distendido e sensível à palpação, especialmente no quadrante abdominal superior direito. A ausculta pulmonar está normal. Qual é a conduta imediata para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Iniciar tratamento com corticosteroides sistêmicos.
  2. B) Administrar adrenalina endovenosa imediatamente.
  3. C) Administrar epinefrina intramuscular imediatamente.
  4. D) Fazer um teste cutâneo para confirmar a alergia ao amendoim.
  5. E) Encaminhar o paciente para um especialista em alergia após estabilização.

Pérola Clínica

Anafilaxia pediátrica com hipotensão → Epinefrina IM imediata é a conduta salvadora.

Resumo-Chave

Este caso descreve anafilaxia grave com choque (hipotensão e taquicardia) após exposição a alérgeno conhecido. A epinefrina intramuscular é o tratamento de primeira linha e mais eficaz, agindo rapidamente para reverter os sintomas sistêmicos. Atrasar sua administração aumenta significativamente a morbidade e mortalidade.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que pode ocorrer após exposição a alérgenos como alimentos, medicamentos ou picadas de insetos. É crucial reconhecer seus sinais precocemente, especialmente em crianças, onde a progressão para choque pode ser rápida. A epidemiologia mostra um aumento na prevalência de alergias alimentares, tornando o manejo da anafilaxia uma habilidade essencial para qualquer profissional de saúde. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios por mastócitos e basófilos, levando a vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar, broncoconstrição e espasmo da musculatura lisa gastrointestinal. O diagnóstico é clínico, baseado na apresentação aguda de sintomas cutâneos, respiratórios, gastrointestinais e/ou cardiovasculares após exposição a um alérgeno. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente com início súbito de urticária/angioedema e comprometimento de via aérea, respiração ou circulação. O tratamento imediato e mais importante é a administração de epinefrina intramuscular, que deve ser feita sem hesitação. Outras medidas incluem posicionamento do paciente, oxigenoterapia, fluidos intravenosos para hipotensão e, como adjuvantes, anti-histamínicos e corticosteroides. O prognóstico é excelente com tratamento rápido e adequado, mas atrasos podem levar a desfechos graves, incluindo óbito.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de anafilaxia grave em crianças?

Sinais de anafilaxia grave incluem urticária generalizada, angioedema, dificuldade respiratória (sibilância, estridor), sintomas gastrointestinais intensos (vômitos, dor abdominal) e, principalmente, sinais de choque como hipotensão e taquicardia.

Qual a dose e via de administração da epinefrina na anafilaxia pediátrica?

A dose recomendada de epinefrina (adrenalina) é de 0,01 mg/kg (máximo 0,5 mg) da solução 1:1000, administrada por via intramuscular na face anterolateral da coxa. Pode ser repetida a cada 5-15 minutos se não houver melhora.

Por que a epinefrina é o tratamento de primeira linha para anafilaxia?

A epinefrina é o tratamento de primeira linha porque atua rapidamente como agonista alfa e beta-adrenérgico, causando vasoconstrição (aumentando a pressão arterial), broncodilatação e reduzindo a liberação de mediadores inflamatórios, revertendo os sintomas do choque e respiratórios.

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