HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Durante um plantão, uma criança, sexo feminino, com 7 anos, é trazida pela mãe após o início súbito de sintomas após a ingestão de um bolo contendo amendoim durante uma festa escolar. A mãe relata que a criança rapidamente apresentou vômito, coceira intensa no corpo, dificuldade para respirar e confusão mental. O exame físico inicial revela uma criança agitada, com extensas placas eritematosas e urticária difusa, edema de lábios e língua, estridor respiratório audível, além de sibilos difusos à ausculta pulmonar. Os sinais vitais incluem: frequência cardíaca de 158 bpm, frequência respiratória de 38 irpm, pressão arterial de 78 x 56 mmHg, saturação de oxigênio de 88% em ar ambiente. Com base no caso clínico apresentado e nas recomendações atuais, qual conduta é mais apropriada como prioridade inicial?
Anafilaxia = Adrenalina IM imediata (0,01 mg/kg) no vasto lateral da coxa.
A adrenalina é a droga de primeira linha e deve ser administrada via intramuscular para absorção rápida; intervenções como corticoides e beta-agonistas são secundárias e não substituem a epinefrina.
A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal. Na pediatria, os gatilhos alimentares (como amendoim, leite e ovo) são os mais comuns. O diagnóstico é clínico e baseia-se no envolvimento agudo da pele/mucosas associado a comprometimento respiratório (estridor, sibilos) ou circulatório (hipotensão, choque). A prioridade absoluta é a estabilização hemodinâmica e respiratória através da epinefrina. A demora na administração da adrenalina é o principal fator de risco para morte por anafilaxia. Após a dose inicial, o paciente deve ser mantido em observação por pelo menos 4 a 6 horas devido ao risco de reações bifásicas.
A dose recomendada é de 0,01 mg/kg de adrenalina milesimal (1:1000), com dose máxima de 0,3 mg em crianças e 0,5 mg em adolescentes/adultos. A via preferencial é a intramuscular (IM) no músculo vasto lateral da coxa.
Estudos farmacocinéticos demonstram que a administração IM no vasto lateral atinge picos plasmáticos de adrenalina muito mais rapidamente do que a via subcutânea ou a via IM no deltoide, sendo crucial para reverter o colapso circulatório e o edema de glote.
Eles são medicações de segunda linha. Os anti-histamínicos ajudam nos sintomas cutâneos (urticária/prurido) e os corticoides podem prevenir reações bifásicas tardias, mas nenhum deles trata o broncoespasmo grave ou o choque, funções exclusivas da adrenalina.
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