UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Menino, 3 anos de idade, sabidamente alérgico ao leite de vaca, apresenta vômitos recorrentes, urticária e tosse após ingestão acidental de leite. Recebe adrenalina intramuscular no serviço de emergência, evoluindo satisfatoriamente, com regressão total dos sintomas. Qual é a conduta mais adequada nesse momento?
Anafilaxia tratada → Observação 4-6h (risco de reação bifásica) + Corticoide/Anti-histamínico.
Após estabilização com adrenalina, o paciente deve permanecer em observação devido ao risco de reações bifásicas tardias, que ocorrem em até 20% dos casos.
A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave e potencialmente fatal. O tratamento padrão-ouro é a adrenalina intramuscular imediata no vasto lateral da coxa. Após a reversão dos sintomas, o manejo foca na prevenção da recorrência. A reação bifásica ocorre em uma parcela significativa de pacientes, justificando a observação clínica. O uso de corticoides e anti-histamínicos é adjuvante, visando o controle de sintomas cutâneos e a redução da inflamação sistêmica tardia.
O período de observação de 4 a 6 horas é fundamental para monitorar a ocorrência de reações bifásicas, que são o ressurgimento de sintomas anafiláticos sem nova exposição ao alérgeno. Embora a adrenalina resolva o quadro agudo, mediadores inflamatórios podem causar uma segunda onda de sintomas. Pacientes com sintomas graves ou que necessitaram de múltiplas doses de adrenalina podem exigir observação ainda mais prolongada (12-24h).
Os corticoides, como a prednisolona ou metilprednisolona, não são o tratamento de primeira linha para a fase aguda (papel exclusivo da adrenalina), mas são utilizados para prevenir ou atenuar a fase tardia da resposta alérgica e as reações bifásicas. Eles agem modulando a resposta inflamatória sistêmica, embora sua eficácia absoluta na prevenção de reações bifásicas ainda seja debatida em algumas diretrizes.
O autoinjetor de adrenalina deve ser prescrito para todo paciente que apresentou um episódio de anafilaxia, especialmente se a exposição ao alérgeno for acidental e difícil de evitar (como alimentos ou picadas de insetos). O treinamento da família e do paciente sobre como e quando aplicar a medicação é um componente crítico do plano de ação para anafilaxia na alta hospitalar.
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