Anafilaxia em Crianças: Diagnóstico e Tratamento Urgente

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2020

Enunciado

Uma criança de 7 anos começou a ter prurido intenso após ingestão de frutos do mar, acompanhado de placas eritemato edematosas em tronco e abdome e estridor laríngeo leve. A criança é saudável e já tinha comido frutos do mar anteriormente, sem nenhuma intercorrência. Deve-se

Alternativas

  1. A) afastar a possibilidade de anafilaxia, tendo em vista a ausência de histórico prévio, e administrar 1 mg/kg de difenidramina e 1 mg/kg de metilprednisolona intravenosos. 
  2. B) afastar a possibilidade de anafilaxia, tendo em vista a ausência de histórico prévio, pensar em reação anafilactoide e administrar, imediatamente, 1 mg/kg de difenidramina e 1 mg/kg de ranitidina intravenosos.
  3. C) afastar a possibilidade de anafilaxia, tendo em vista a ausência de histórico prévio, e administrar inicialmente uma nebulização com 5 mL de adrenalina pura.
  4. D) considerar possibilidade de anafilaxia, tendo em vista o comprometimento respiratório e cutâneo, e administrar 0,01 mg/kg de adrenalina intramuscular.
  5. E) considerar a possibilidade de anafilaxia, tendo em vista o comprometimento respiratório e cutâneo, e administrar 1 mg/kg de difenidramina e 1 mg/kg de metilprednisolona intravenosos.

Pérola Clínica

Anafilaxia = comprometimento de ≥2 sistemas (pele + respiratório) após exposição a alérgeno → Adrenalina IM imediata (0,01 mg/kg).

Resumo-Chave

A anafilaxia é uma reação alérgica grave e potencialmente fatal, caracterizada pelo envolvimento de múltiplos sistemas. A presença de prurido, urticária e estridor laríngeo após ingestão de frutos do mar configura um quadro de anafilaxia, mesmo sem histórico prévio. A conduta inicial e mais importante é a administração imediata de adrenalina intramuscular.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal. É crucial que estudantes e profissionais de medicina, especialmente residentes, saibam reconhecer e tratar prontamente essa condição. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios por mastócitos e basófilos, levando a broncoespasmo, vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e edema de mucosas. O diagnóstico é clínico e baseia-se na presença de sintomas que afetam múltiplos sistemas (cutâneo, respiratório, cardiovascular, gastrointestinal) após exposição a um alérgeno. Em crianças, a anafilaxia pode se manifestar de forma atípica, mas a presença de urticária, angioedema, estridor, sibilos ou hipotensão após contato com um gatilho deve levantar a suspeita. É importante notar que reações prévias sem intercorrências não excluem a possibilidade de anafilaxia em exposições futuras. A conduta inicial e mais importante é a administração imediata de adrenalina por via intramuscular. Outras medidas, como antihistamínicos, corticosteroides e broncodilatadores, são adjuvantes e não substituem a adrenalina. O manejo também inclui a manutenção das vias aéreas, suporte ventilatório e hemodinâmico, e monitorização contínua. A educação do paciente e da família sobre a prevenção e o uso de autoinjetores de adrenalina é fundamental para evitar futuras ocorrências e garantir uma resposta rápida.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para anafilaxia em crianças?

A anafilaxia é diagnosticada quando há início agudo de sintomas envolvendo a pele/mucosas (urticária, angioedema) e/ou sistema respiratório (dispneia, sibilos, estridor) e/ou hipotensão ou sintomas de disfunção orgânica. A exposição a um alérgeno conhecido ou provável, seguida de envolvimento de dois ou mais sistemas, é altamente sugestiva.

Qual a dose e via de administração da adrenalina na anafilaxia pediátrica?

A dose recomendada de adrenalina para anafilaxia em crianças é de 0,01 mg/kg (máximo de 0,5 mg por dose) da solução 1:1000, administrada por via intramuscular na face anterolateral da coxa. A repetição da dose pode ser necessária a cada 5-15 minutos, se os sintomas não melhorarem.

Por que a adrenalina é o tratamento de primeira linha para anafilaxia?

A adrenalina é o tratamento de primeira linha porque atua rapidamente em múltiplos receptores, revertendo os efeitos da anafilaxia. Ela causa vasoconstrição (aumentando a pressão arterial), broncodilatação (melhorando a respiração) e reduz o edema de vias aéreas, além de inibir a liberação de mediadores inflamatórios.

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