Anafilaxia Pediátrica: Manejo Imediato e Adrenalina

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2022

Enunciado

Leia o caso clínico a seguir.Ana, de dois anos, 15 kg, comparece ao pronto-socorro pediátrico no município de Caldas Novas. A mãe relata que a filha é muito saudável e nunca adoeceu, mas queixou otalgia hoje e, por isso, deu ibuprofeno (30 gotas); pouco tempo depois a criança apresentou vômitos e chorou muito, com dor abdominal, tipo cólicas, se retorcendo muito, chorando há quase meia hora. Imunização completa. Recebendo alimentação do hotel desde ontem. Nega febre. Nega contato com doentes. Ao exame: criança com REG, eupneica, corada, desidratada, afebril, acianótica, anictérica, chorosa (fácies de dor, se contorce demonstrando dor abdominal), irritada; rubor em tórax e abdome. ACV: RCR, 2T, sem sopros, FC: 144 BPM. Avaliação de ausculta pulmonar e pressão arterial comprometidas pela irritabilidadee choro da criança. Tempo de enchimento capilar de três segundos. Hiperemia de conduto auditivo à esquerda na otoscopia, edema labial, orofaringe sem alterações. Saturação de oxigênio: 94%. Glicemia capilar: 84 mg/dL.A abordagem terapêutica imediata, focada no diagnóstico clínico, deve ser a aplicação de:

Alternativas

  1. A) soro fisiológico e omeprazol, ambos por aplicação intravenosa.
  2. B) adrenalina via intramuscular e soro fisiológico via intravenoso.
  3. C) bromoprida via intramuscular e soro de reidratação por via oral.
  4. D) prometazina e bromoprida, ambos por aplicação intramuscular.

Pérola Clínica

Anafilaxia pediátrica → Adrenalina IM (primeira linha) + SF IV (reposição volêmica).

Resumo-Chave

O quadro clínico de Ana, com início súbito após ibuprofeno, edema labial, rubor, taquicardia e sinais de má perfusão (TPC 3s, irritabilidade, desidratação), sugere uma reação anafilática. A conduta imediata é adrenalina intramuscular e reposição volêmica com soro fisiológico.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que pode ocorrer após exposição a alérgenos como alimentos, medicamentos (como AINEs, no caso), picadas de insetos ou látex. Em pediatria, o reconhecimento precoce e a intervenção imediata são cruciais para evitar desfechos adversos. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de sintomas que afetam dois ou mais sistemas orgânicos (pele, respiratório, cardiovascular, gastrointestinal) após a exposição a um gatilho conhecido ou provável. Sinais como edema labial, rubor, taquicardia, vômitos e dor abdominal, associados a uma história de uso de ibuprofeno, são altamente sugestivos de anafilaxia. A abordagem terapêutica imediata e mais importante é a administração de adrenalina via intramuscular na face anterolateral da coxa, que atua como vasoconstritor, broncodilatador e inibidor da liberação de mediadores. Além disso, a reposição volêmica com soro fisiológico intravenoso é fundamental para combater a vasodilatação e o extravasamento capilar que levam ao choque. Outras medidas incluem oxigenoterapia e monitorização.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de anafilaxia em crianças?

Sinais incluem urticária, angioedema (edema labial, facial), dificuldade respiratória (sibilos, estridor), hipotensão, taquicardia, dor abdominal, vômitos e irritabilidade.

Qual a dose e via de administração da adrenalina na anafilaxia pediátrica?

A dose recomendada é de 0,01 mg/kg de adrenalina 1:1000 (1 mg/mL) via intramuscular, na face anterolateral da coxa, podendo ser repetida a cada 5-15 minutos se necessário.

Por que a reposição volêmica é importante no choque anafilático?

A anafilaxia pode causar vasodilatação e extravasamento capilar, levando à hipovolemia relativa e choque. A reposição com soro fisiológico ajuda a restaurar a volemia e a perfusão tecidual.

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