UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2023
Maria Paula, 2 anos, está no 1o DPO de Herniorrafia Inguinal Esquerda. Após a administração de analgésico oral, a criança inicia quadro de náuseas, vômitos, dor abdominal, rash cutâneo urticariforme, seguidos de desconforto respiratório e rebaixamento do nível de consciência. Ao exame físico: EGMau, hipoativa. AR: MV+ AHT com sibilos expiratórios. FR: 36 ipm. Sat.O2: 89% (ar ambiente). ACV: RCR 2T, FC: 180 bpm. PA: 72:48 mmHg. Baseado neste caso, assinale a alternativa CORRETA.
Anafilaxia pediátrica → Adrenalina IM precoce + O2 + fluidos = tratamento de primeira linha.
A anafilaxia é uma reação alérgica grave e potencialmente fatal, com rápida progressão de sintomas cutâneos, respiratórios, cardiovasculares e gastrointestinais. A adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha e deve ser administrada precocemente, sem atrasos, para reverter a fisiopatologia do choque.
A anafilaxia é uma emergência médica grave que exige reconhecimento rápido e tratamento imediato para prevenir desfechos fatais. Em crianças, a apresentação pode ser variada e, por vezes, atípica, o que pode atrasar o diagnóstico. É uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, de início rápido, que pode levar à morte. A etiologia é diversa, incluindo alimentos, medicamentos, picadas de insetos e látex. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios de mastócitos e basófilos, levando a vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar, broncoconstrição e espasmo da musculatura lisa gastrointestinal. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de sintomas que afetam múltiplos sistemas orgânicos, especialmente após exposição a um alérgeno conhecido ou suspeito. Os critérios diagnósticos incluem o envolvimento da pele/mucosas, comprometimento respiratório, hipotensão ou sintomas de disfunção orgânica associados. A rápida progressão dos sintomas é uma característica marcante. O tratamento da anafilaxia tem como pilar a administração precoce de adrenalina intramuscular, que é o único medicamento capaz de reverter a progressão do choque e dos sintomas respiratórios graves. A dose usual é de 0,01 mg/kg (máximo 0,5 mg) da solução 1:1000, administrada na face lateral da coxa. Além disso, é fundamental garantir a permeabilidade das vias aéreas, oferecer oxigênio suplementar, iniciar expansão volêmica com cristaloides e monitorar rigorosamente o paciente. Anti-histamínicos e corticoides são adjuvantes, mas não substituem a adrenalina.
A anafilaxia em crianças pode apresentar-se com urticária, angioedema, prurido, sibilos, dispneia, tosse, náuseas, vômitos, dor abdominal, hipotensão, taquicardia e rebaixamento do nível de consciência.
A conduta inicial para anafilaxia em pediatria é a administração imediata de adrenalina intramuscular na face lateral da coxa, além de suporte de oxigênio, elevação dos membros inferiores e expansão volêmica com cristaloides.
A adrenalina é a primeira linha de tratamento porque age rapidamente nos receptores alfa e beta-adrenérgicos, promovendo vasoconstrição (revertendo hipotensão), broncodilatação (melhorando a respiração) e diminuindo a liberação de mediadores inflamatórios, sendo crucial para reverter o choque.
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