USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Paciente de 7 anos, sexo masculino, com antecedente de asma em uso de medicação contínua. Estava brincando no parquinho quando começou a sentir dor intensa no braço esquerdo. Após cerca de 30 minutos, começou a apresentar tosse, dor abdominal, vômitos e diarreia. Levado ao pronto atendimento, foi colocado sob fonte de oxigênio, sob monitorização e um acesso periférico foi obtido. Ao exame clínico, estava em regular estado geral, FC: 145 bpm, FR: 34 irpm, PA: 82x30 mmHg, Saturação 92% em ar ambiente, ausculta cardíaca sem alterações e ausculta pulmonar com sibilos difusos.Na exposição, foi notada a seguinte lesão:Além de oxigênio e expansão volêmica, qual a conduta a ser prontamente realizada?
Anafilaxia por picada de aranha em criança → Adrenalina IM (1:1.000) é a conduta prioritária.
O quadro clínico de hipotensão, taquicardia, taquipneia, sibilos e sintomas gastrointestinais após picada sugere anafilaxia grave. A adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha e mais eficaz para reverter os sintomas do choque anafilático, agindo rapidamente nos receptores alfa e beta.
A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave e potencialmente fatal, caracterizada por início rápido e comprometimento de múltiplos sistemas. Em crianças, pode ser desencadeada por alimentos, picadas de insetos, medicamentos ou, como no caso, picadas de aranha. O reconhecimento precoce é crucial, pois a progressão para choque anafilático pode ser rápida e levar à morte se não tratada adequadamente. O diagnóstico é clínico, baseado na exposição a um alérgeno e no desenvolvimento agudo de sintomas que afetam dois ou mais sistemas (cutâneo, respiratório, cardiovascular, gastrointestinal). A hipotensão é um sinal de gravidade. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios por mastócitos e basófilos, causando vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e broncoespasmo. O tratamento prioritário é a administração de adrenalina intramuscular, que deve ser feita o mais rápido possível. Além disso, é fundamental garantir a via aérea, ofertar oxigênio, realizar expansão volêmica com cristaloides e posicionar o paciente com os membros inferiores elevados. Outras medicações, como anti-histamínicos e corticosteroides, são adjuvantes e não substituem a adrenalina.
Os sinais de anafilaxia em crianças incluem urticária, angioedema, sibilos, dispneia, tosse, dor abdominal, vômitos, diarreia, hipotensão, taquicardia e alteração do nível de consciência. A progressão pode ser rápida e envolver múltiplos sistemas.
A dose recomendada de adrenalina (epinefrina) para anafilaxia em crianças é de 0,01 mg/kg (máximo 0,5 mg) da solução 1:1.000, administrada por via intramuscular na face anterolateral da coxa. Pode ser repetida a cada 5-15 minutos se necessário.
A adrenalina é o tratamento de primeira linha porque atua rapidamente como vasoconstritor (efeito alfa-1), aumentando a pressão arterial e reduzindo o edema, e como broncodilatador (efeito beta-2), aliviando o broncoespasmo. Também estabiliza mastócitos e basófilos, inibindo a liberação de mediadores inflamatórios.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo